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Correio da Manhã

Portugal
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Críticas à PSP e GNR abrem guerra na PJ

Depois de o CM ter publicado em Julho do ano passado um documento intitulado ‘A Falácia’, da autoria de responsáveis da Judiciária como os históricos José Braz e Teófilo Santiago, directores da PJ de Lisboa e de Aveiro, respectivamente, em que assumem duras críticas à PSP e à GNR, que acusam por exemplo de "aguardar que o crime aconteça" (ver excertos ao lado), a punição aos dois, por parte do director nacional Almeida Rodrigues, foi sexta-feira publicada em ordem de serviço: repreensão por escrito no âmbito de processo disciplinar.
15 de Setembro de 2010 às 00:30
José Braz, que se destacou no combate ao tráfico de droga, é o actual director da PJ de Lisboa. Foi repreendido por Almeida Rodrigues, director nacional tal como Teófilo Santiago, um histórico do combate aos crimes económ
José Braz, que se destacou no combate ao tráfico de droga, é o actual director da PJ de Lisboa. Foi repreendido por Almeida Rodrigues, director nacional tal como Teófilo Santiago, um histórico do combate aos crimes económ FOTO: André Nacho

Uma mancha em carreiras com mais de 20 anos, que, no caso de Teófilo Santiago, já foi agraciado com crachá de ouro.

O responsável pela PJ de Aveiro, que coordena toda a investigação ao processo Face Oculta, limita-se a dizer que "o episódio é lamentável mas revelador". E adianta que a repreensão, sem o surpreender, vai ser impugnada judicialmente – por ter sido "violado o direito à liberdade de expressão". Teófilo Santiago não se alonga mais mas, ao que o CM apurou, a punição está a causar mal-estar na PJ, com outros responsáveis a mostrarem solidariedade com os colegas.

A defesa pública é assumida pela Associação Sindical da PJ (ASFIC), em comunicado: "A maioria dos funcionários da PJ subscreveriam por completo o referido artigo de opinião", "posição de legítima defesa da PJ, relativamente a ataques externos sistemáticos e insidiosos de que foi e continua a ser alvo" – e o processo disciplinar foi "acção persecutória por delito de opinião".

A ASFIC fala numa "indesejável mensagem de fragilidade e de submissão da Direcção Nacional da PJ face a um poderoso lobby ‘securitário’ que se apoderou do MAI [que tutela a PSP e a GNR]". "É uma cedência inaceitável", "a direcção da PJ sai muito mal deste episódio".

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