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Correio da Manhã

Portugal

Culpados de sorriso inocente

As mulheres portuguesas não resistem a um sorriso, nem mesmo quando este aflora nos lábios de um criminoso. De acordo com um estudo inédito no País, as mulheres consideram que os criminosos que sorriem são menos responsáveis pelos delitos que cometeram, quando comparados com os que mantêm uma face neutra.
2 de Janeiro de 2006 às 00:00
Condenado por burla, capitão Roby era sorridente e sedutor
Condenado por burla, capitão Roby era sorridente e sedutor FOTO: Vítor Mota
“A expressão facial, neste caso o fenómeno do sorriso, funciona de forma muito parecida com a atractividade física. Isto é, quem sorri é invariavelmente percepcionado, por exemplo, como bonito e bom”, explica ao Correio da Manhã Freitas-Magalhães, director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção e autor do trabalho que contou com a participação de 420 portugueses de idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos.
Ao contrário das mulheres, revela também o estudo, os homens não têm a mesma percepção perante um sorriso o que, de acordo com Freitas-Magalhães, resulta do facto de terem mais dificuldade na percepção da expressão facial. “Dessa dificuldade resulta a dúvida e, nesta, o homem não arrisca na identificação da expressão associada ao rosto. Daí a distância e a ausência de percepção positiva.”
No entanto, nem o sorriso mais brilhante consegue apagar o crime cometido, já que quanto mais grave for o delito praticado, menos efeito é atribuído ao sorriso tanto pelos homens como pelas mulheres, atesta ainda o mesmo estudo.
ARMA NO COMBATE AO CRIME
Há muito que a expressão facial é usada em vários países como uma arma importante para a investigação criminal e forense. Nos Estados Unidos, desde a CIA (agência de espionagem norte-americana), até ao FBI (agência federal de investigações), passando por empresas públicas ou privadas, muitos são os que recorrem ao auxílio de especialistas na leitura das expressões faciais.
“Há anos que as forças policiais destes países são alvo de ‘workshops’ sobre como e quais as técnicas a utilizar na interpretação do código facial”, refere Freitas-Magalhães. Um trabalho que ainda não se faz entre nós, mas que, refere o especialista, poderia ser um precioso auxílio no que diz respeito, por exemplo, à detecção de mentiras durante os interrogatórios, apenas através da interpretação dos gestos faciais.
No entanto, há pistas simples para decifrar sorrisos. Forçados, amarelos, meios, falsos, verdadeiros, há muitas formas de sorriso, capazes de indiciar diferentes estados de espírito. “O sorriso falso aparece e desaparece rapidamente”, explica Freitas-Magalhães. “É um sorriso ‘congelado’, exagerado, assimétrico, com expressões mistas e indiscrições não verbais.” Já o verdadeiro, “leva mais tempo para instalar-se no rosto e a desaparecer, é simétrico, o seu início e desaparecimento são longos e é considerado uma expressão de alegria.”
SORRISOS CRIMINOSOS
BONNIE E CLYDE
Foram os primeiros assassinos em série da História da América. Bonnie e Clyde tornaram-se os mais conhecidos assaltantes de banco nos anos 30 do século passado. Atravessaram os EUA deixando um rasto de assaltos e mortes.
RONALD BIGGS
Ronald Biggs é um criminoso britânico conhecido pelo assalto a um comboio-correio em 1963. Um golpe que rendeu 2,5 milhões de libras, um autêntico recorde na altura. Acabou por ser preso e condenado, mas escapou da prisão em Wandsworth em 1965. Passaria as próximas três décadas de sua vida como fugitivo. Acabou por regressar do Brasil em 2001 e continua a cumprir pena.
CHIKATILO
A 22 de Dezembro de 1978, Andrei Chikatilo matou pela primeira vez. A vítima foi uma menina de nove anos, que esfaqueou e abusou sexualmente, livrando-se em seguida do seu corpo num rio na cidade de Shakhty, na Rússia. Uma experiência que iria repetir outras 50 vezes, até à sua captura, em 1990.
BILLY THE KID
Foi baptizado Henry McCarty, mas ficou para a história como Billy the Kid, um fora-da-lei e assassino que viveu no século XIX. Há quem diga que foi um assassino a sangue-frio, enquanto outros o descrevem como um Robin dos Bosques do velho Oeste.
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