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Correio da Manhã

Portugal

Cunha Ribeiro sai orgulhoso do INEM

Luís Cunha Ribeiro colocou o lugar à disposição e a nova ministra da Saúde, Ana Jorge, aceitou de imediato. Esta demissão foi a sua primeira decisão política, que vários sectores da Saúde consideram ser uma consequência directa das fragilidades do sistema de emergência pré-hospitalar.
12 de Fevereiro de 2008 às 00:30
O nome mais falado para assumir a presidência do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é o de António Marques, director do Departamento de Cuidados Intensivos do Hospital de Santo António, Porto. O Governo promete divulgar o sucessor de Cunha Ribeiro até ao final da semana.
Ao CM o presidente demissionário disse que “quando há mudanças no Governo é natural que se coloque o lugar à disposição. Assim o fiz e a ministra aceitou”. E sublinhou: “As organizações ficam e as pessoas entram e saem. É normal. Estou muito orgulhoso pelo trabalho feito.” Sobre o excesso de despesas com os helicópteros do INEM, que poderá sustentar a sua demissão, Cunha Ribeiro disse ser um motivo “redondamente falso”. E justificou: “De 2006 para 2007, o movimento dos helis aumentou 35 por cento. São equipamentos contratualizados pelo INEM. Se trabalhamos mais, saímos mais, logo, pagamos mais”.
Apesar da sua satisfação há quem veja falhas graves no sistema de emergência pré-hospitalar e na articulação entre INEM e bombeiros, estando ainda fresco na memória o caso recente da chamada telefónica entre a operadora do INEM e o bombeiro de Favaios (Alijó) relativa à morte de um homem de 42 anos.
Uma das vozes críticas é a do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes. “Falta autoridade para disponibilizar os meios de socorro. Na emergência pré-hospitalar é preciso saber quem manda, tal como numa hierarquia militar, e não está claro o quadro da organização e da cadeia hierárquica no socorro”, disse ao CM.
PERFIL
Luís Manuel Cunha Ribeiro, 52 anos, natural de Lamego, é médico especializado em imunohemoterapia. Foi director clínico e de serviço no Hospital de São João, no Porto. Esteve na liderança do INEM desde Fevereiro de 2003, quando o antigo ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, o convidou para o cargo e que Correia de Campos manteve. Foi membro do Comité Médico da NATO. É divorciado e tem dois filhos.
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