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Correio da Manhã

Portugal
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CURRY CABRAL EM ALERTA COM PNEUMONIA ATÍPICA

Há um doente com pneumonia atípica no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Mas os responsáveis garantem que os testes feitos até agora revelaram ser uma pneumonia diferente da pneumonia atípica fatal, provocada pelo coronavírus e chamada de Síndroma Respiratória Aguda (SRA).
13 de Maio de 2003 às 00:00
Apesar disso, os clínicos decidiram mandar fazer testes mais sofisticados ao doente – um jovem que esteve na Tailândia – para terem a certeza de que o coronavírus não está escondido neste português.
“De facto, o doente tem uma pneumonia atípica, mas provocada por outros agentes virais que não o coronavírus que causa o Síndroma Respiratórioa Aguda (SRA). No entanto, por não se saber tudo sobre a SRA e por o doente ter estado recentemente no Oriente resolveu-se não se fechar o caso e realizar mais análises para ter a certeza de que o coronavírus não está mesmo presente”, explicou ao CM, o responsável da unidade de infecciologia do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltez, que está a seguir, de perto, a evolução do doente, que “está completamente fora de perigo”.
“As pneumonias atípicas são situações que ocorrem várias vezes. Chama-se de atípica quando os agentes que provocam a infecção respiratória não são os habituais. A SRA é um tipo de pneumonia atípica porque é provocada por um vírus novo. Mas há mais pneumonias atípicas e muito menos perigosas”, explica o subdirector-geral de Saúde Francisco George.
Situação rara
No entanto, este caso de pneumonia atípica que se encontra em isolamento no Curry Cabral, e segundo admite Fernando Maltez “tendo em conta os agentes envolvidos não é tão frequente”, o que leva o hospital a estar de alerta.
Os médicos decidiram, por isso, fazer mais exames: “Estão a ser feitos mais testes. Agora vai ser feito o que se chama cultura de vírus em células próprias. São testes mais lentos, mas que permitem verificar se não existe mesmo o coronavírus”. explica Fernando Maltez.
O director do Hospital, Pedro Canas Mendes, acrescenta que “se trata de uma atitude preventiva, necessária para lidar com situações como a SRA, que mata um em cada 5 infectados”
Por outro lado, Canas Mendes refere que “por não se saber tudo sobre a SRA, nomeadamente o seu comportamento, e por o doente ter uma pneumonia rara resolveu-se tomar todas as medidas de prevenção”.
Medidas a tomar
Os mistérios da doença levaram, aliás, o subdirector-geral de Saúde a dirigir-se ontem ao Hospital Curry Cabral. O objectivo foi explicar aos profissionais de saúde os procedimentos a tomar em relação à eventuais doentes com SRA.
Mas Canas Mendes aproveita para garantir que o controlo da situação está também nas mãos dos cidadãos. “As pessoas que estiveram em zonas de risco ou em contacto com alguém dessas zonas e que têm sintomas nos dez dias seguintes devem contactar a linha de saúde pública”. A linha tem o número 808 211 311 e a sua missão é encaminhar os doentes para os estabelecimentos preparados para receber as vítimas desta doença mortal.
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