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Correio da Manhã

Portugal
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Daniel chora mas já sorriu

Carlos, o pai do menino de 27 meses que continua internado no Hospital de Santa Maria por ter sido vítima de maus tratos, vai ser ouvido amanhã pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Loures. E vai acompanhado da mãe, Elisa, a pedido da Comissão, que também quer ouvir a avó paterna do pequeno Daniel, que ontem – apesar de chorar com dores – deu uma alegria ao pai: sorriu-lhe.
14 de Março de 2007 às 00:00
Carlos e a mãe, Elisa, vão ser ouvidos amanhã pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens
Carlos e a mãe, Elisa, vão ser ouvidos amanhã pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens FOTO: João Cortesão
Ontem de manhã foram ouvidos os avós maternos de Daniel, pelas técnicas do Serviço de Segurança Social de Sacavém, outra das entidades envolvida na avaliação da situação do menino. Avós maternos e pai já anunciaram que vão lutar pela custódia de Daniel, que ontem registou novas melhoras no seu estado de saúde e foi transferido para o sétimo piso do Hospital de Santa Maria.
“O menino foi operado à cabeça. Já lhe tiraram as ligaduras mas continua com os agrafes”, contou ao CM uma amiga da família, acrescentando que o seu estado continua a impressionar muito a avó paterna e o avô materno. Elisa, enfermeira reformada, ainda não consegue encarar o neto. João, vendedor de bebidas, chora sempre que o vê. Ontem, virando-se para a comadre, ter-lhe-á dito: “Deixe lá. Eles [a filha Vanessa e o companheiro] vão pagar pelo que fizeram ao nosso neto.”
Vanessa, de 21 anos, está detida desde quinta-feira. O juiz impôs-lhe uma medida de coacção (prisão preventiva) que, dentro de três meses, terá de ser reavaliada. Nessa altura, Vanessa poderá ser libertada e, caso isso aconteça, terá direito a requerer também a custódia do filho. A decisão caberá ao Tribunal de Família de Loures. E não deverá tardar, pois a situação de Daniel é considerada urgente.
Carlos, esperançoso, está já a construir um quarto para o filho, Daniel, que ontem lhe deu uma alegria, sorriu para ele.
Mas o menino, que chegou ao Hospital de Santa Maria em coma, continua a chorar. Pensam os familiares que o choro se deve às dores provocadas pela recuperação.
“Mas o pai sente que o menino precisa de carinho. E tem brincado com ele todos os dias quando o visita”, garante uma amiga do jovem.
172 QUEIXAS ENTRE JANEIRO E MARÇO
A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Loures recebeu, só este ano, 172 queixas de alegados maus tratos, adiantou ao CM Ângela Botelho, responsável pela Comissão. A esmagadora maioria das queixas foram apresentadas por entidades (escolas, hospitais...), um hábito que “infelizmente” persiste. “Denúncias de familiares, amigos, conhecidos são ainda raras”, refere, lamentando que só quando o caso se torna público é que as pessoas que privaram com a vítima denunciam a situação. Assim foi com Daniel. Um menino que “andava sempre muito bem posto, limpinho, mas chorava imenso; um choro de dor”, recordaram populares de Fetais – localidade onde o menino residia com a mãe e o companheiro – depois de a criança dar entrada no Hospital de Santa Maria, em coma. Para avaliar a situação de Daniel e dos restantes meninos e meninas, a Comissão de Loures – uma das mais requisitadas – dispõe de 14 técnicas (assistentes sociais, psicólogas...) e de duas administrativas. A falta de pessoal rivaliza com as instalações, precárias, que ocupa: quatro salas de um primeiro andar.
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