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Correio da Manhã

Portugal
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Defesa de polícias no caso Cova da Moura diz que "não são um bando de malfeitores"

Advogados pedem absolvição.
Lusa 26 de Fevereiro de 2019 às 16:41
Esquadra da PSP em Alfragide
PSP
Justiça
Esquadra da PSP em Alfragide
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A defesa pediu esta terça-feira a absolvição dos polícias da Esquadra de Alfragide, Amadora, acusados de agressões e insultos racistas a seis jovens da Cova da Moura, em fevereiro de 2015, considerando que "não são um bando de malfeitores".

Os arguidos respondem por denúncia caluniosa, injúria, sequestro, ofensa à integridade física, falsificação de documento e falsidade de testemunho, num caso que remonta a 05 de fevereiro de 2015, por alegadas agressões e insultos racistas a seis jovens, na Cova da Moura, concelho da Amadora, e no interior da esquadra de Alfragide.

A acusação do Ministério Público sustenta que os 17 agentes policiais agiram ainda com ódio racial, de forma desumana, cruel e tiveram prazer em causar sofrimento.

"O que se passou na realidade não tem rigorosamente nada a ver com o que consta na acusação. Há um completo desfasamento da realidade dos factos com esta acusação. Esta acusação é uma amálgama; é uma história construída pelos assistentes e por algumas das testemunhas", invocou a advogada de 16 dos 17 arguidos, durante as alegações finais do julgamento.

Na última sessão de alegações finais, na qual está presente, fardado, o comandante do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, superintendente-chefe Jorge Maurício, a advogada Isabel Gomes da Silva questionou a razão pela qual a investigação considerou "falso" tudo o que os arguidos relataram e assumiu como "verdadeiro" tudo o que as vítimas (assistentes) contaram.

A advogada vincou que os arguidos "não são um bando de malfeitores", mas sim "homens de família com carreiras e comportamentos exemplares" ao longo de mais de uma década.

"Estes homens estão a ser violentamente acusados de uma coisa que não fizeram. Porque é que estes elementos iriam criar um cenário que não era real? Não faz sentido. Esta é uma acusação muito injusta, mas estes homens continuam a trabalhar diariamente e a dar o melhor de si", salientou Isabel Gomes da Silva, perante o coletivo de juízes presidido por Ester Pacheco.

A advogada falou em "memória seletiva, contradições e mentiras" apresentadas em julgamento pelos assistentes e por testemunhas, "que se conhecem entre si". No seu entender, a acusação do MP está fundamentada "nos depoimentos dos assistentes e das testemunhas".

A 05 de fevereiro de 2015 sete agentes da esquadra da PSP de Alfragide encontravam-se na Cova da Moura numa ação de fiscalização, e os factos em julgamento tiveram início com o episódio da detenção do ofendido Bruno Lopes.

Nas suas alegações finais, realizadas a 12 de fevereiro, o Ministério Público considerou a detenção "ilegal", pois, ao contrário da versão dos arguidos, o ofendido não arremessou nenhuma pedra contra a viatura policial, partindo um vidro.

A advogada de 16 dos arguidos, alegou, por seu lado, que foi Bruno Lopes quem arremessou a pedra que partiu o vidro da carrinha policial que se encontrava na Cova da Moura, facto que esteve na origem da detenção do jovem.

"Bruno Lopes já tinha antecedentes criminais, já era conhecido das autoridades e resistiu à detenção. Foi bem detido e os polícias usaram a força estritamente necessária. Porque é que a versão do Bruno Lopes é que é verdadeira?", questionou Isabel Gomes da Silva.

Em relação aos factos que se passaram num segundo momento, no exterior e no interior da Esquadra de Alfragide, a advogada voltou a pôr em causa as versões apresentadas pelas vítimas, acusando-as de "mentir despudoradamente".

Quanto a esta situação, no momento em que um grupo de pessoas se dirigiu à esquadra, na sequência da detenção de Bruno Lopes, o procurador do MP alegou que as mesmas foram justificadas, pois os agentes policiais trataram a situação como uma invasão da esquadra.

Esta terça-feira, a defesa de 16 dos 17 arguidos perguntou o que é que levou este grupo a dirigir-se à esquadra, pondo em causa o próprio Estado, pois os agentes policiais atuam em nome do Estado e na defesa dos direitos dos cidadãos.

Isabel Gomes da Silva falou em "momentos de tensão" vividos no exterior e no interior da esquadra, salientou que os polícias agiram perante uma invasão e voltou a criticar a investigação por não valorar as versões "verdadeiras" apresentadas pelos arguidos.

A advogada negou que os arguidos tivessem insultado ou agredido as vítimas, razão pela qual pediu a absolvição dos seus constituintes de todos os crimes pelos quais estão acusados.
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