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Correio da Manhã

Portugal
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Degolada e seminua após despiste brutal

Uma mulher de 25 anos foi encontrada morta ontem, às 3h30, na EN15, em Gandra, Paredes. Estava desfigurada, degolada e seminua. Para já, as autoridades apontam para que a morte tenha resultado do despiste do carro onde seguia a jovem. Mas há pormenores mal explicados que levam a PJ do Porto a não descartar a possibilidade de a jovem ter sido assassinada.
31 de Maio de 2005 às 00:00
Durante o dia, ainda foi possível observar no local do acidente peças de roupa e um sapato da vítima
Durante o dia, ainda foi possível observar no local do acidente peças de roupa e um sapato da vítima FOTO: Álvaro C. Pereira
Segundo testemunhas, o Mercedes onde seguia Marlene Ribeiro Bessa, divorciada e a trabalhar na discoteca ‘Starlight’ de Baltar, Paredes, embateu contra um poste de iluminação – onde ficou o corpo – e imobilizou-se 70 metros à frente, junto ao muro de uma vivenda. O carro ficou bastante danificado, mas só o vidro do condutor se partiu. Ainda não está apurado se Marlene seguia acompanhada na viatura.
“Ela estava deitada junto à berma da estrada, de barriga para cima e muito direitinha. Não acredito que tenha sido cuspida pelo vidro. Até o relógio que trazia foi encontrado muito antes do local onde estava deitada. A cabeça estava presa ao corpo por muito pouco, quase decapitada e irreconhecível”, relatou ao CM Lucinda Ribeiro, moradora no local do acidente. “Às 3h30 ouvi um estrondo. Quando o meu cunhado chegou ao local encontrou um senhor que tinha visto tudo. Contou-nos que não era ela que vinha a conduzir e que ainda viu o condutor a sair do carro, um tal de Zé [namorado da vítima]”, explicou.
A testemunha afirma ainda que José Luís, companheiro de Marlene, terá “andado de um lado para o outro e a falar sozinho cerca de dez minutos, antes de fugir do local”. “O meu cunhado perguntou se precisava de alguma coisa e ele apenas pediu água. Foi buscar uma garrafa e quando voltou já lá não estava. Fugiu antes da ambulância chegar, mas ainda foi ao carro procurar alguma coisa”, afirmou Lucinda Ribeiro.
A testemunha acredita que “toda a história está mal contada”. “Quando andava aqui de um lado para o outro, ele estava sempre aos gritos a chamar um Nelo [ex-marido da vítima], procurando-o por baixo do carro. Depois, disse-nos que vinham seis pessoas no automóvel, que tinha chegado depois do acidente e que não era nada com ele. O senhor que chegou primeiro ainda lhe disse que o tinha visto sair do carro. Ele ficou mais nervoso, mas não deixou de negar a sua presença na viatura”, referiu.
Fátima Alves, mãe de Zé Luís, afirma que o filho “não estava com a Marlene à hora do acidente”. “Ele nega e eu acredito. Apenas lhe emprestou o carro. Soube através de um amigo que lhe ligou e foi socorrê-la”, adiantou. Garantiu que Marlene era boa menina e que o filho se “dava muito bem com ela”. Mantinham uma relação há oito meses.
PROBLEMAS FINANCEIROS
Quando Marlene Bessa perdeu o emprego e, em consequência, ficou com problemas financeiros, procurou refúgio em casa dos pais da melhor amiga, Idalina. Francisco Santos e Conceição Neto acolheram a jovem, mas o filho de cinco anos, fruto de anterior relação, ficou com a avó materna, com quem Marlene não tinha bom relacionamento.Marlene conseguiu emprego na discoteca ‘Starlight’, em Baltar, e apenas ía dormir a casa de Idalina. “Eu apenas lhe pedia que fosse ver o filho mais vezes e que tivesse juízo”, afirmou Francisco Santos. “Ontem, o Zé Luís foi buscá-la ao trabalho à meia-noite e foram jantar. Não sei o que se passou e não conheço ninguém que lhe quisesse fazer mal”, concluiu.
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