Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

Degolou a mulher à frente da filha

Há dois anos e meio que fugia do homem com quem viveu e que a maltratava. Ontem de manhã, no centro da Covilhã, aconteceu aquilo que mais receava: ele apareceu e, de faca em punho, degolou-a – à frente da filha de ambos, Catarina.
3 de Novembro de 2005 às 00:00
Degolou a mulher à frente da filha
Degolou a mulher à frente da filha FOTO: Filipe Pinto
Rosa Maria Gomes Gaspar, de 38 anos, conheceu o assassino há quatro anos: apaixonaram-se e passaram a viver maritalmente em Lisboa. A vida conjunta, no entanto, foi madrasta para ela. Vítima de maus tratos constantes infligidos pelo companheiro, decidiu partir, há dois anos e meio, quando a filha nasceu. Foi então viver com a menina na Covilhã – com o objectivo de escapar à violência. Mas não andava sossegada e pensava partir em breve para os Açores.
Rosa tinha razões para recear pela própria vida. Ontem, pelas 08h40, quando acabava de estacionar o carro, numa rua transversal à Avenida Frei Heitor Pinto, na Covilhã, e se preparava para deixar a filha no infantário e seguir para o trabalho – na 1.ª Repartição de Finanças da cidade –, foi surpreendida pelo ex-companheiro, Jaime Marques, de 38 anos, que a esfaqueou. Foi atacada na rua, enquanto a criança, ainda dentro do carro, assistia a tudo e chorava descontrolada.
Após cometer o crime, o assassino, engenheiro electrotécnico em Lisboa, pôs-se em fuga, ensanguentado e na posse da arma branca. “Era uma faca ou navalha que levava na mão” e estava todo “sujo de sangue” – descrevem testemunhas ao CM, adiantando que ele “tinha um boné bem enfiado na cabeça”.
Pelas 16h00, acabaria por se entregar na PSP da Covilhã. Estava combalido, disse ser o campanheiro de Rosa Gaspar, confessou que a tinha matado e remeteu-se de seguida ao silêncio. Não entregou a arma do crime. Ficou detido e vai hoje ser presente a Tribunal.
Rosa Gaspar, ou ‘Rosinha’, como era tratada pelos amigos, era natural de Silvares, no Fundão, e foi em casa dos pais que procurou refúgio do ex-companheiro, apesar de ter adquirido uma casa na Covilhã. O seu medo era tanto que esperava conseguir em breve transferência para os Açores, para lá refazer a sua vida.
'BATIA-LHE À FRENTE DA NOSSA NETA'
A relação de Rosa Gaspar com o ex-companheiro nunca correu bem. Ele sempre a tratou mal e agrediu-a bastas vezes. Mas o que a fez deixar o assassino foram as cenas de violência à frente da filha. Os pais da vítima deram conta disso mesmo ao CM. “Ela fugiu aos maus tratos do ex-companheiro, feitos na presença da nossa neta. Ele batia-lhe e não deixou de a perseguir e ameaçar de morte. Por isso, a nossa filha pediu a transferência de Lisboa para a Covilhã, mas não conseguiu escapar-lhe”, diz José Barroca Gaspar.
A própria família do assassino, natural de Ourém, também já teria manifestado alguma apreensão quanto ao futuro da vítima, devido ao comportamento do homicida. O indivíduo, que “aparenta ser tímido”, sofrerá de “alguns possíveis problemas do foro psicológico”. Rosa Gaspar já teria apresentado pelo menos uma queixa às autoridades policiais contra ele, devido às perseguições de que era vítima. Quanto à sua filha, Catarina Gaspar Luís, foi assistida no Serviço de Pediatria do Hospital da Covilhã, em estado de choque, e entregue aos cuidados de familiares.
FAMÍLIA JÁ RECEAVA O PIOR
“Saiu de manhã aqui de casa com a sua filhinha e minha neta com ar alegre, despedindo-se de mim. Desgraçadamente, foi a última vez”, lamenta José Barroca Gaspar, de 75 anos, pai da vítima, residente em Silvares, no Fundão, que há muito tempo receava pela vida dela: “Eu, depois de saber o que aquele bandido era, sempre que a minha filha se atrasava por qualquer motivo ficava logo a pensar o pior, que afinal veio mesmo a acontecer”.
A mãe da falecida, Maria Gomes Calisto, de 69 anos, também “andava muito preocupada”. Rosa Gaspar e o antigo companheiro deveriam voltar a encontrar-se no próximo dia 10, no Tribunal do Fundão, onde estava marcada uma audiência para decidir sobre o poder paternal, bem como os encargos que teriam de suportar. A vítima era considerada em Silvares uma “pessoa trabalhadora, que tinha sempre a intenção de se promover profissionalmente”, pelo que a sua morte deixou consternada a população.
CRIANÇAS ASSISTEM
ESFAQUEADA NO PEITO
“Ajudem-me que o meu pai matou a minha mãezinha”, gritava a menina. O caso ocorreu a 21 de Outubro, em Lagoa do Grou, Ourém. O homicida e a vítima, brasileiros, estavam a tratar do divórcio. Ele esfaqueou-a no peito à frente da filha de oito anos.
À QUEIMA-ROUPA
Um homem de 46 anos feriu a ex-mulher e o companheiro dela, na via pública, com dois disparos de caçadeira feitos à queima-roupa. A filha, de seis anos, viu tudo. O crime aconteceu em Beja a 23 de Março e foi provocado por uma crise de ciúmes.
ALVEJADA A TIRO
A vítima, de 30 anos, trazia ao colo uma bebé de oito meses, filha de uma amiga. Isso não demoveu o agressor, um antigo namorado, que a alvejou com dois tiros de revólver. Aconteceu em Viseu, em Março. Por sorte, a bebé não sofreu nada. A mulher foi hospitalizada e sobreviveu.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)