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Correio da Manhã

Portugal
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DEGOLOU MULHER E MATOU-SE

Um homem de 68 anos assassinou a companheira, de 64, cortando-lhe a carótida, na madrugada da passada quinta-feira numa residência na Rua Jorge Colaço, em Lisboa. Depois, deslocou-se para Avanca, Estarreja, onde pôs termo à vida com um tiro de caçadeira.
12 de Abril de 2003 às 00:03
Óscar Calçador relata comovido a morte da filha
Óscar Calçador relata comovido a morte da filha FOTO: Jorge Godinho
Segundo o pai da vítima, Óscar Calçador, de 88 anos, entre as 02h45 e as 08h00, Manuel Evangelista da Silva telefonou várias vezes para sua casa – disfarçando a voz com um sotaque brasileiro –, a dizer que a filha, Eugénia Marreiros Sousa, jazia na cozinha.
Após várias tentativas de contactarem com a vítima, o pai e a madrasta pediram a intervenção da PSP. Na casa, pelas 14h00, os agentes depararam com o cadáver da infeliz mulher.
Ainda de manhã, pelas 09h00, Manuel Silva havia sido avistado a sair da casa de Eugénia, a entrar no seu carro e a arrancar. Deslocou-se para Avanca e estacionou junto à casa da ex-mulher, onde por vezes ocupava um quarto. O estado em que chegou revelou-se logo que entrou na habitação, cerca das 14h00.
"Ele vinha completamente alterado, a dizer que tinha feito uma asneira, mas que preso não ia. Que preferia acabar com ele", contou ao CM Pérola Santos, 71 anos, ex-mulher do homicida. "Reparei que vinha com sangue na roupa e que tinha ido buscar a caçadeira. Por isso, escapei-me para casa de vizinhos e de lá chamaram a GNR", disse.
A chegada das autoridades precipitou o suicídio do indivíduo, que foi consumado à entrada da habitação, com um tiro de caçadeira no peito.
PEDIR PERDÃO DE JOELHOS
Depois de, em Fevereiro, Eugénia Sousa ter sido agredida por Manuel Silva, tomou a atitude de pô-lo fora de casa. Nos tempos seguintes, o homem foi várias vezes a casa do pai de Eugénia para tentar uma reconciliação.
“A minha filha não o recebeu mais em casa e ele vinha aqui pedir perdão de joelhos”, relembra Óscar Calçador, 88 anos, ontem visivelmente abatido pela tragédia da filha.
Mais tarde, Eugénia acabou por aceitar, de novo, Manuel Silva na sua vida. “Teve um encontro numa hora má com este cavalheiro”, comenta por seu turno um dos vizinhos da vítima, António Augusto Silva, que acrescenta ser a senhora uma pessoa querida na rua onde vivia. De momento, ninguém sabe as razões que levaram ao homicídio.
MOMENTOS
PASSEIO
Eugénia veio a conhecer Manuel, um motorista reformado, divorciado por duas vezes, a 28 de Julho de 2002, no âmbito do ‘Passeio da Alegria’, uma excursão entre Lisboa e Fátima. Na hora do almoço, a camioneta parou num restaurante, onde também estava outra excursão, na qual seguia o futuro homicida. Na hora do baile dançaram juntos e iniciaram o relacionamento.
DESAVENÇA
A primeira desavença grave entre o casal, segundo os vizinhos da vítima, ocorreu em Fevereiro passado, envolvendo agressões, com tratamento hospitalar e um alegado desvio de dinheiro de uma conta bancária. Os vizinhos falam ainda que o homicida sofria de alcoolismo e esquizofrenia.
TELEFONEMAS
Ao todo, entre as 02h45 e as 08h00, foram feitos quatro telefonemas para casa do pai de Eugénia, na Rua de S. José, em Lisboa, a dizer que esta estava morta. Os telefonemas, na sua maioria atendidos pela madrasta da vítima, foram feitos com sotaque brasileiro, mas o progenitor não tem dúvidas em reconher a voz.
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