Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

Deixava telemóvel em casa para iludir Judiciária

Um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) afirmou esta segunda-feira no Tribunal de Condeixa-a-Nova, no julgamento de vários crimes de recetação e furto de veículos, que o principal arguido "era muito cauteloso" no uso do telemóvel para iludir a vigilância policial.
14 de Janeiro de 2013 às 18:03
Caso está a ser julgado no tribunal de Condeixa-a-Nova
Caso está a ser julgado no tribunal de Condeixa-a-Nova FOTO: Ricardo Almeida

Acusado de dezenas de crimes, o mecânico Reis, dono de um armazém ligado ao ramo automóvel, situado em Avintes, Vila Nova de Gaia, deixava habitualmente o telemóvel em casa, enquanto alegadamente participava nos furtos, durante a noite, afirmou João Paulo Soares, da PJ do Porto.

Através das escutas telefónicas e da recolha de imagens, a partir de uma câmara com ligação à Internet colocada próximo do armazém, a PJ obteve as informações que culminaram na detenção do empresário e do trabalhador Alves, também ele arguido, em setembro de 2011.

Segundo o inspetor João Paulo, as investigações da PJ começaram após ter recebido denúncias anónimas sobre as atividades suspeitas do mecânico Reis, que está em prisão preventiva e tem antecedentes pelo mesmo tipo de crime. "O Reis continua no mesmo modo de vida", reiterava a fonte ao elemento da PJ.

Conhecendo as "situações idênticas" em que tinha estado antes implicado o arguido, o inspetor, depois de "averiguar se as informações tinham ou não credibilidade", participou os factos ao Ministério Público, em janeiro de 2011.

Ouvido esta tarde no Tribunal de Condeixa-a-Nova, comarca onde ocorreu o furto de uma das viaturas, admitiu que a sua fonte fosse alguém lesado pela concorrência dos arguidos ao "mercado lícito" de peças para automóveis.

O arguido Reis, que possuía um camião apetrechado com rampas e guincho usado na prática dos crimes, procurava despistar eventuais diligências da PJ que permitissem seguir o seu rasto.

Nas conversas ao telemóvel, que estavam já sob escuta, tentava iludir a vigilância policial e costumava deixar o aparelho em casa, enquanto Alves, seu cúmplice, era localizado através das ligações telefónicas que estabelecia na noite de mais um dos furtos que lhes são imputados.

A PJ "tem acesso à localização celular", ficando a saber "o repetidor (antena) que está a ser utilizado", de acordo com os dados fornecidos pela operadora de telecomunicações móveis, disse o inspetor, em resposta às questões do magistrado do Ministério Público.


Confirmando uma queixa do advogado do arguido Reis, que pediu ao tribunal mais tempo para poder consultar os meios de prova em falta, o procurador disse que "há cinco DVD que não estão" nos autos.

Os suspeitos foram detidos quando chegavam ao armazém. Nuno chegou primeiro, ao volante de uma viatura ligeira, enquanto o patrão surgiu depois, conduzindo o camião com um ligeiro supostamente furtado nessa noite.

O tribunal ouviu também o inspetor-chefe da PJ Luís Rocha.

A maior parte dos crimes foram registados na Região Centro, sobretudo na zona de Viseu.

Estão marcadas mais sessões deste julgamento para os próximos dias 16, 17, 23, 28 e 31.

mecânico furtos veículos recetação julgamento tribunal condeixa-a-nova judiciária
Ver comentários