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Correio da Manhã

Portugal
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DEIXEM OS PUTOS TRABALHAR

O combate ao insucesso escolar passa pelo encorajamento e apoio dos adultos, mas sem interferir no trabalho dos alunos.
1 de Junho de 2004 às 00:00
Dois estudos publicados no jornal Child Development concluem que o desempenho escolar das crianças melhora quando há apoio positivo dos pais. No entanto, esse apoio não deve passar pelo realizar dos trabalhos de casa, mas sim pela discussão de temas e autonomia das crianças para realizar as tarefas escolares.
Num dos estudos, 110 mães com crianças a frequentar a escola foram observadas enquanto ajudavam os filhos com trabalhos de casa simulados. Os investigadores descobriram que as mães dirigem o comportamento dos filhos, interferindo no realizar das tarefas. Os alunos com más notas pioravam o desempenho depois da ajuda das mães. Mas os que apenas recebiam ajuda moral, apoios autónomos (como a discussão dos problemas) e realizavam os deveres sozinhos, melhoraram o desempenho.
Num segundo estudo, que envolveu 121 mães e filhos estudantes, foram analisados os sucessos e falhas ‘reais’. As crianças com mau desempenho na escola pioravam quando recebiam reprimendas das mães – quer ao castigá-los quer ao expressar desilusão. Ao fim de seis meses, os níveis de desempenho escolar destes alunos mantiveram--se baixos, enquanto as crianças com apoios autónomos tinham conseguido melhorar as notas escolares.
Outra das conclusões dos trabalhos agora divulgados mostra que a ajuda autónoma só é eficaz em crianças com mau desempenho. Quem obtém boas notas tem mais motivação e confiança.
Para o neuropsicólogo Nélson Lima, director do Instituto da Inteligência, “a motivação dos alunos é um dos factores emocionais com um papel mais decisivo no sucesso escolar”. O mais importante “é perceber porque é que se perdeu a motivação”.
Como frisa o especialista, “é quase assassinato dizer a um aluno ‘não prestas, o outro é que é bom’. A crítica deve ser pela positiva “até porque”, argumenta, “se alguma coisa está mal a culpa é quase sempre dos adultos”. As crianças, explica, “têm consciência das más notas”, necessitando “de um ambiente de confiança” para melhorar o desempenho. Aí, os pais e especialistas têm um papel “determinante”. “O esforço tem de partir dos mais velhos, pois têm de perceber e acompanhar os filhos. A solidão é um dos problemas do insucesso escolar.”
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