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Correio da Manhã

Portugal
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Demolições até ao final do ano

A primeira etapa de demolição de casas na Ria Formosa deverá arrancar até ao final do ano, com a remoção de 38 construções ilegais. As intervenções vão arrancar no ilhote das Ratas, onde cerca de dez casas são para primeira habitação, o que irá obrigar ao realojamento dos habitantes.
20 de Agosto de 2009 às 00:30
Segundo o levantamento feito pelo Polis Ria Formosa há 2366 construções nas ilhas barreira
Segundo o levantamento feito pelo Polis Ria Formosa há 2366 construções nas ilhas barreira FOTO: Luís Forra/Lusa

Depois do levantamento efectuado, "apenas as famílias que habitam de forma permanente as casas e que dependam de actividades afectas à Ria é que vão ter direito a realojamento", explicou ao CM fonte da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa.

Ao que o CM apurou, dos 87,5 milhões de euros de investimento previsto para requalificação da Ria Formosa, 3,2 milhões vão ser gastos em realojamento. A Sociedade Polis Litoral e o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana já estão a identificar os habitantes das casas a demolir.

O realojamento poderá vir a ser feito em núcleos piscatórios já existentes, como Culatra e Armona. De acordo com Valentina Calixto, a presidente da Sociedade Polis da Ria Formosa, "o processo de realojamento será feito em estreita articulação com a Câmara Municipal de Olhão".

Entre Novembro de 2008 e Abril deste ano, foram identificadas 2366 construções nas ilhas e ilhotes, mas apenas algumas serão demolidas. "Se alguém vai ser crucificado então que sejam as pessoas que têm outras casas", referiu ao CM Carlos Flor, da Associação de Moradores da Praia de Faro .

Segundo o dirigente, "toda a gente sabe quem mora efectivamente nas ilhas e quem passa férias".

POLIS DESCONFIA DE VENDAS

Há casas localizadas em zonas previstas para renaturalização que estão à venda. Os negócios, ilegais, já são do conhecimento da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, que está a averiguar os autores da especulação imobiliária e a alertar os possíveis compradores. As casas construídas ilegalmente e com a demolição ou regularização em análise não podem ser vendidas.

Sílvia Padinha, presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra, diz não ter conhecimento de nenhum negócio depois do levantamento das construções. "Que a associação saiba não têm sido feitas transacções e nós alertamos toda a gente que não é uma operação prevista na lei", referiu. Sílvia Padinha admite que "antes do levantamento pode ter havido negócios".

Na Praia de Faro, Carlos Flor, da associação de moradores APRAFA, garante que não tem conhecimento de negócios ilícitos. "Não dou notícia desses casos", assegurou o dirigente ao CM.

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