Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

DESACATOS NO CIRCO

Uma cara esmurrada, uma máquina de filmar partida, insultos e uma detenção foi assim que terminou uma acção dos activistas dos direitos dos animais - ANIMAL - junto ao Circo Atlas, em Lisboa.
6 de Janeiro de 2003 às 00:00
O agressor, um funcionário circense, vai responder hoje, pelas 10h00, a tribunal de primeira instância pela “provocação”. Pelo meio ficam acusações de ambos os lados e as duas versões afirmam agir em prol do respeito pelos animais.

Miguel Moutinho, director da ANIMAL, contou ao CM que esta acção apenas pretendia “informar as pessoas sobre a forma como o circo, no caso concreto o Atlas, trata os animais. Distribuíamos panfletos com o conhecimento dos agentes da PSP que se encontravam no local, a quem nos tínhamos identificado”.

“Vieram uns oito ou dez funcionários do circo que começaram a ameaçar-nos até que o director do circo começou a utilizar uma linguagem menos própria, a insultar-nos. Disse: ‘Quero essa gente daqui para fora, a 50 metros da porta, senão chamo o meu pessoal de segurança e varro esta m... toda”, relatou o activista.
Das palavras passou-se à acção com o jovem Miguel Saturnino a “tentar filmar toda a situação”. Foi o alvo da confusão que se gerou, com os agentes a não escaparem aos empurrões.

“Deram-me um murro na cara e tive de receber tratamento no Santa Maria. O pior é que me partiram a máquina de filmar”, contou Miguel Saturnino.
Miguel Moutinho alega que esta acção pretendeu chamar a atenção “para a forma cruel como tratam os animais no circo, como os treinam sob o domínio dos choques eléctricos, das chicotadas e à força dos grilhões, que lhes provocam feridas expostas e cicatrizes”.

“Vivem em jaulas exíguas e o resultado é o comportamento anti-natural em que revelam medo e sofrimento”, alega Miguel Moutinho.

O director do Circo Atlas, Valter Dias, refuta completamente as acusações e através do CM convida toda a Comunicação Social e os defensores dos animais a assistir a um espectáculo para verem “in loco” se são verdadeiras as críticas. “Isso é um absurdo. Se dessemos choques eléctricos aos animais eles eram agressivos e atacavam-nos, viravam-se contra nós, contra o seu treinador. Posso dizer que tratamos melhor os nossos animais que muitas pessoas são tratadas. Alimentamo-los bem e são treinados através do estímulo das recompensas, comida e guloseimas”, afirmou Valter Dias, enquanto quatro possantes felinos, dois tigres e duas leoas, faziam o seu número na arena, mediante as indicações da domadora, Verónica, que empunhava uma cana e uma varinha em cada mão.

“Só conseguimos treinar os animais na base da confiança. Não pode ser de outro modo. Esses activistas apareceram aqui numa atitude provocatória, a insultar-nos, a cuspir para o chão e a chamar-nos cruéis, para com os animais, e filhos da p... Pedimos-lhes para se afastarem. Não o fizeram. Não podíamos ficar calados nem quietos. Reagimos”, defendeu-se Valter Dias.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)