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Correio da Manhã

Portugal
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Descoberta nova forma de calcular hora da morte

Trabalho de investigadores portugueses.
8 de Novembro de 2015 às 10:58
Método "resultou numa análise a vários parâmetros sanguíneos"
Método 'resultou numa análise a vários parâmetros sanguíneos' FOTO: Maria João Marques

O presidente da Associação Portuguesa de Ciências Forenses divulgou este domingo ter desenvolvido, em colaboração com outros investigadores portugueses, dois modelos matemáticos com análise sanguíne para calcular com maior precisão a hora da morte de uma pessoa.


O investigador responsável pelo projeto, Ricardo Dinis, esclareceu que o método "resultou numa análise a vários parâmetros sanguíneos" e que a partir daí se desenvolveram dois modelos matemáticos que podem diminuir "significativamente" os erros de estimativa, reduzindo a margem do engano para uma hora.


"O que nós fizemos foi colher o sangue de pessoas vivas, dadores e simulamos o comportamento 'post mortem' [depois da morte] desse sangue. Ou seja, pusemos esse sangue em putrefação, à semelhança do que acontece no cadáver. A partir daí desenvolvemos um modelo matemático. Depois aplicamos esse modelo a animais e funcionou", explicou à Lusa.


Para os responsáveis, o cálculo da hora da morte é "um dos maiores dogmas da área forense", sendo que a maior parte dos métodos utilizados são "tradicionais" baseados "em opiniões subjetivas do perito".


Suspeitos associados
O método, desenvolvido com a colaboração do Instituto Superior de Saúde do Norte - CESPU, das Faculdades de Farmácia e Medicina da Universidade do Porto e da Universidade do Minho, "traz a possível inclusão ou exclusão de suspeitos associados a um local de crime".


"Eu estimo um intervalo de 'post mortem' de aproximadamente sete horas, de alguém que teria morrido por exemplo às 07h00, e se o suspeito foi visto com a vítima a essa hora, podemos incluir o suspeito naquele crime. Se a vítima morreu às 07h00 e eu digo que ela morreu as 18h00 e se a essa hora o agressor está a trabalhar e tem testemunhas, vou excluí-lo erradamente do crime", explicou Ricardo Dinis.


Os modelos utilizados atualmente baseiam-se, entre outros, nas alterações que acontecem nos olhos, medição da temperatura corporal, alterações da cor da pele, com "erros de cálculo gigante, muitas vezes, de vários dias".

presidente da Associação Portuguesa de Ciências Forenses hora da morte
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