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DESENHOU UMA LUA COM SANGUE DO TIO

Quando levantaram o estore da casa de Nuno Beja, os vizinhos estremeceram. Diante dos seus olhos estava um jovem ensanguentado que acabara de matar o tio a golpes de machado.

08 de junho de 2003 às 00:00

Assassino confesso, João Nuno, de 22 anos, toxicodependente, foi detido depois de consumado o crime – por volta das 18h00 de sexta-feira – e após ter desenhado uma lua na parede. Com sangue da vítima.

“Foi uma coisa bárbara”, comentavam ontem os vizinhos de Nuno Beja, a vítima, de 47 anos, pessoa querida nos Olivais, bairro lisboeta onde morava há mais de 40. Casado, deixa duas filhas, uma delas menor.

Nuno foi a casa a pedido da mulher. Eram quase 18h00. Ela telefonou-lhe depois de ter conhecimento, através da filha mais nova, que o sobrinho entrara no apartamento partindo um vidro de uma janela.

Olga, a mulher, avisou-o e pediu- -lhe também que levasse a Polícia, pois o rapaz não era de confiar. Mas Nuno Beja, “um rapagão, alto e forte”, fez ‘orelhas moucas’ apesar dos avisos da vizinhança.

“Dizem que entrou em casa e procurou o rapaz mas não o encontrou. Estava escondido.”

Escondido, apareceu e com um machado atingiu o tio, não uma mas várias vezes: “Havia sangue por todo o lado”, contam os vizinhos que, após o levantamento do corpo, limparam a casa até de madrugada.

“Sabe, o rapaz, com o sangue, desenhou uma lua na parede e uns rabiscos, coisas que até impressionaram a Polícia.”

Minutos depois chegou a mulher. Olga, assustada com os avisos da vizinhança, que não escutara ruídos mas também nunca mais vira o vizinho, tentou abrir a porta, em vão.

Alarmada, pediu à vizinha e amiga, Leonor Morais, que a ajudasse a abrir uma janela.

Leonor levantou o estore mas deixou-o logo cair quando viu o jovem.

Chamaram a Polícia e o rapaz confessou o homicídio.

“Há famílias assim, malfadadas.” Os vizinhos lembram que a mãe da vítima enviuvou ainda jovem e sozinha criou os dois filhos: Nuno, assassinado anteontem, e João, toxicodependente, falecido há anos. João era pai do rapaz agora detido.

“Era uma senhora admirável”, reafirmam, acrescentando que, no fim do mês passado, apareceu morta em casa. l

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