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Correio da Manhã

Portugal
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Desmantelada rede que vendia B.I. falsos

Residiam em Portugal há mais de dez anos e dedicavam-se a ‘fabricar’ Bilhetes de Identidade falsos para os seus compatriotas. Três angolanos lideravam uma rede que incluía, pelo menos, mais outros seis suspeitos.
2 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Na última quinta-feira, foram apanhados no decurso de uma operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que assim pôs um ponto final a uma investigação que durava há cerca de meio ano.
A rede operava na Grande Lisboa, mais concretamente na Margem Sul do Tejo, onde se dedicava a falsificar documentos. Os clientes eram imigrantes clandestinos, na sua maioria angolanos e brasileiros, que encontravam neste esquema uma forma de ‘legalizarem’ a sua permanência em Portugal.
Na madrugada de quinta-feira, o agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras executaram nove mandados de busca domiciliária. Resultado: apreensão de dezenas de Bilhetes de Identidade por preencher, outros já comprados e outros furtados e prontos para serem falsificados.
Os imigrantes que quisessem adquirir outros documentos também o podiam fazer.
Segundo adianta ao CM fonte do SEF, foram ainda apreendidas autorizações de residência, cartas de condução e diversos carimbos e selos brancos utilizados para a falsificação dos documentos.
A rede era liderada por três angolanos, que aguardam agora julgamento em prisão preventiva.
No culminar da investigação, foram ainda identificados e constituídos arguidos outros cinco angolanos e um guineense.
CRIME ALÉM FRONTEIRAS
A polícia espanhola deteve, no último sábado, em Alicante, 14 homens que se dedicavam a falsificar Bilhetes de Identidade portugueses.
Os detidos, na maioria brasileiros, facilitavam a ‘legalização’ dos compatriotas. No decorrer da investigação, as autoridades espanholas detectaram vários trabalhadores na posse de Bilhetes de Identidade portugueses falsos. As investigações policiais permitiram concluir que a rede de falsários atribuía identificações de países de língua oficial portuguesa, por acreditarem que desta forma enganavam mais facilmente os serviços de fiscalização de estrangeiros do país vizinho. A rede chefiada por brasileiros também arranjava empregos para os imigrantes: os compatriotas pagavam 600 euros por cada documento de identificação, mais alojamento.
Os bilhetes de identidade portugueses falsificados também foram detectados no Reino Unido. O Ministério da Justiça português já prometeu criar novos Bilhetes de Identidade mais seguros.
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