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Correio da Manhã

Portugal
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Desmantelado esquema de tráfico de droga em aviões privados de luxo do Brasil para Portugal

Polícia Federal desarticulou esquema após apreensão de 175 quilos de cocaína no aeroporto de Lisboa.
Lusa 13 de Abril de 2021 às 08:26
Droga estava embalada  em pacotes  com logótipos de marcas  desportivas
Droga estava embalada em pacotes com logótipos de marcas desportivas FOTO: Direitos Reservados
A Polícia Federal (PF) do Brasil desarticulou na segunda-feira um esquema de transporte de drogas em aeronaves privadas, após a apreensão, em outubro de 2020, de um avião executivo brasileiro com 175 quilogramas de cocaína no aeroporto de Lisboa.

Em comunicado, a Polícia Federal informou que desencadeou na manhã de segunda-feira a Operação "Flight Level", visando combater os crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e branqueamento de capitais.

Nesse sentido, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, 20 mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias de 29 pessoas, apreensão de 15 veículos, cinco imóveis e oito aeronaves, além da suspensão das atividades de seis empresas. A operação envolveu 90 agentes federais em cinco cidades brasileiras.

"As investigações tiveram início em outubro de 2020, após a apreensão, no Aeroporto Internacional de Lisboa/Portugal, de um avião executivo brasileiro, que teria partido de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Nele eram transportados 175 quilos de cocaína", indicou a PF no comunicado.

A Polícia Federal identificou que, para a realização desse transporte da droga, teria havido a participação dos sócios e operadores desse avião, num esquema de transporte de drogas feito através de aeronaves privadas.

"Foi possível ainda identificar que a organização teria utilizado 'laranjas' e 'fantasmas' [também conhecidos como 'testas de ferro'] para ocultação dos bens auferidos com a atividade criminosa", acrescentou a PF no comunicado.

Os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas, branqueamento de capitais e organização criminosa, podendo cumprir até 33 anos de prisão, se condenados.

Apenas com a apreensão dos veículos, das aeronaves e imóveis, a Polícia Federal estima um prejuízo de aproximadamente 30 milhões de reais (4,40 milhões de euros) ao crime organizado.

Apesar de não ter produção própria de cocaína, o Brasil é um dos principais pontos de passagem da droga proveniente de outros países da América Latina, com destino à Europa, e Portugal tem-se tornado numa das portas de embarque de estupefacientes para o continente europeu.

A Polícia Judiciária portuguesa e a polícia federal brasileira estavam alertadas, desde o início da pandemia, para a possibilidade de o tráfico de cocaína entre os dois países recorrer a jatos particulares, revelou à Lusa fonte policial.

Segundo a mesma fonte, as polícias já se tinham apercebido que, com a diminuição de voos regulares entre os dois países, o "modus operandi" de traficar cocaína entre o Brasil e Portugal se tinha alterado com os traficantes a utilizarem outros meios, nomeadamente o recurso a jatos fretados a companhias privadas.

Exemplo disso foi a polémica apreensão, em fevereiro último na cidade brasileira de Salvador, de 500 quilos de cocaína com destino a Portugal, escondidos num avião particular da empresa portuguesa OMNI Aviação e Tecnologia, do qual antigo presidente do Boavista João Loureiro integrava a lista de passageiros.

No início de março, o Governo brasileiro disse à Lusa que tem como prioridade aumentar a cooperação com a Europa contra o narcotráfico, mas recusou que o país seja o problema das rotas para o continente europeu.

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