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Correio da Manhã

Portugal
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DESPEDIDA POR SÓ TER O 9º ANO

A população de Tunes está indignada com o despedimento, por falta de habilitações literárias, de uma assistente administrativa da Extensão local do Centro de Saúde de Silves e manifestou-se, ontem de manhã, contra essa situação, que considera "injusta".
8 de Novembro de 2002 às 00:00
Num abaixo-assinado que reuniu mais de 700 assinaturas, enviado à Administração Regional de Saúde (ARS) de Faro, os residentes manifestaram já o seu "desagrado e discordância" pelo despedimento de Maria das Dores Rodrigues Bento Banha, que há 11 anos trabalhava na referida Extensão de Saúde, sempre com contratos precários, por "insuficiência de habilitações literárias". De acordo com o documento, a população entende "como inadmissível a tomada de posição da ARS e solicita que seja reconsiderada", de forma a que a funcionária, "que tão bem tem servido a comunidade", volte ao seu local de trabalho. Maria das Dores, casada e com uma filha, agradeceu e mostrou-se comovida com o apoio da população.

"Se durante 11 anos a funcionária serviu – e bem – , tendo chegado a fazer serviço em S. Bartolomeu de Messines, Algoz, S. Marcos da Serra, Silves e até no SAP desta cidade, agora também serve e nós queremo-la de volta, pois entendemos que é muito competente. Ela ajudava toda a gente, sobretudo os mais idosos", referiram ao CM Irene Paiva, Maria da Graça Pacheco, Graça Ornelas e Fidélio Dias, todos residentes em Tunes. Para estas pessoas, tal como para as restantes que participaram no protesto, "não se compreende que tenham mandado embora a Maria das Dores e a tenham substituído por duas funcionárias, quando a Extensão de Tunes era a que melhor funcionava no concelho, e por causa dela".

De acordo com Graça Ornelas, "a funcionária recebeu, em meados de Outubro uma carta, que lhe foi entregue em mão, pelo motorista da ARS, a informá-la de que, a partir de dia 31, estava dispensada por falta de habilitações literárias. No dia 4, quando tentou voltar ao trabalho, foi posta na rua, o que foi uma atitude desumana". "A Maria das Dores tem o 9.º ano mas fez formação contínua. Porque é que não pode continuar a trabalhar?” – indagou a moradora. O CM soube, entretanto, que na sequência destes acontecimentos Maria das Dores já recebeu duas propostas de emprego.
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