André Duarte Santos, 26 anos, e Ricardo Malheiro, 40, tiveram na madrugada de ontem morte imediata no acidente com o Smart Cabrio Fortwo conduzido pelo primeiro, que se despistou e foi embater violentamente contra um pórtico de informação para condutores, arrancando-o do solo, na avenida Marechal António de Spínola, zona de Chelas, em Lisboa.
No porta-bagagens do Smart, para duas pessoas, seguia um terceiro amigo, 35 anos, que sobreviveu à colisão e está em estado grave no hospital. O acidente, que deixou o carro completamente destruído, ocorreu pela 01h15 e terá sido provocado por excesso de velocidade. A polícia não descarta a hipótese de o condutor ter consumido álcool em excesso – o que a autópsia irá esclarecer.
Os três homens, que trabalhavam juntos nas Lojas Francas do Aeroporto de Lisboa, tinham assistido ao jogo Sp. Braga-FC Porto num restaurante no Areeiro e preparavam-se para regressar a casa. O jovem de 26 anos ia levar os dois amigos quando o despiste, que ocorreu perto de casa do sobrevivente, lhe tirou a vida. Familiares e amigos de André e Ricardo estão em choque com o acidente, sem negarem que o excesso de velocidade ou "os copos a mais" possam estar na origem da tragédia.
"É uma dor que não tem explicação. O André era Deus na Terra, toda a gente gostava dele. Não acredito que perdi o meu filho. Era um jovem atinado, mas claro que bebia uns copos de vez em quando", desabafou ao CM o pai de André, Luís Santos.
A companheira de Ricardo Malheiro corrobora: "Se foram ver o jogo, acompanharam com bebidas, faz parte. E é normal que, como de madrugada não há muitos carros, fossem a abrir. É uma tragédia que eles tenham morrido assim", diz Ana Briso.
"POLÍCIA VEIO CÁ A CASA, MAS NÃO QUIS ACREDITAR"
Passava pouco das 05h00 quando Ana Paula Briso recebeu a notícia da morte do companheiro, Ricardo Malheiro. "Três agentes vieram cá a casa. Não quis acreditar, pensei que se tivessem enganado, só queria que estivessem enganados", contou a mulher, de 46 anos, emocionada. Tinha falado com Ricardo ao telemóvel, pela última vez, às 20h00. "Disse-me que vinha para casa depois do jogo de futebol, para não me preocupar, que estava tudo bem", contou Ana Paula Briso. "Quando a polícia me contou sobre o despiste, confesso que pensei logo que tinham bebido e por isso se tinham despistado. Como tinham estado a ver o jogo, às vezes metem-se nos copos", disse a companheira da vítima. O casal não tem filhos.
"O ANDRÉ ERA MUITO BOM MIÚDO"
Pai e amigos de André Duarte Santos estiveram ontem na Portilavauto, Lda, em Sacavém, Loures, para onde foi rebocado o que restava do Smart Cabrio Fortwo após o acidente. "O embate no poste deve ter sido tão violento que o carro estava todo metido para dentro, amolgado", contou ao CM um amigo da vítima. Vários jovens, de lágrimas nos olhos, acorreram ontem à casa do jovem, que morava no Lumiar com os pais, para apoiar a família. A consternação era visível: "Não queremos acreditar, o André era muito bom miúdo", lamentou um amigo.
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