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Correio da Manhã

Portugal
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“Deu 2 braçadas e começou a gritar”

"Aconteceu tudo à minha frente. Está ainda presente na minha memória", começa por dizer Maria João, que anteontem viu o marido morrer afogado ao tentar salvar uma filha e uma amiga, na Lagoa de Albufeira, em Sesimbra. Fernando José Barros tinha 56 anos. Esta é já a segunda vítima mortal na mesma zona em apenas 18 dias. No dia 5 morreu uma mulher de 66 anos, que foi levada pela corrente na boca da lagoa.
25 de Julho de 2011 às 00:30
Fernando José Barros morreu ao tentar salvar a filha e uma amiga. Deixa três filhos, um deles autista.
Fernando José Barros morreu ao tentar salvar a filha e uma amiga. Deixa três filhos, um deles autista. FOTO: Duarte Roriz

"Estávamos à beira da água. Elas pediram socorro e o meu marido foi buscá-las. Deu duas braçadas, mas não conseguiu mais e começou a gritar por socorro", relembrou a mulher, visivelmente abalada.

A vítima, de 56 anos, estava com a família numa zona da lagoa que não é vigiada, embora exista pelo menos uma placa que assegura o contrário (ver caixa).

Maria João estava indignada com a falta de vigilância. "Isto é uma vergonha. Na semana passada, a minha sobrinha também se estava a afogar e foram duas mulheres que a socorreram", contou indignada.

A filha, menor, que assistiu à morte do pai, está muito abalada. "Ela ainda não caiu na realidade, e pior, culpa-se pelo que aconteceu", lamenta. Fernando Barros, cuja mulher está desempregada, deixa três filhos, um deles autista.

JOVEM BRASILEIRO MORRE AFOGADO EM BARRAGEM

O que seria uma tarde bem passada acabou ontem em tragédia para Tiago Alves, 28 anos, vítima de afogamento na barragem do Caia, Arronches. A vítima, de nacionalidade brasileira, residia em Portalegre há seis anos com a mulher, portuguesa, e uma menina de 18 meses. Mergulhou na água da barragem, perto do monte da Contenda, minutos antes das 13h00. Foi a mulher quem deu pelo desaparecimento e alertou as autoridades. O corpo, segundo o comandante dos bombeiros de Campo Maior, Miguel Carvalho, foi encontrado em 22 minutos pelos mergulhadores, a oito metros de profundidade e a seis metros da margem.

ENTIDADES RESPONSÁVEIS

"O problema é que aquele lado da lagoa já foi vigiado. Deixou de ser e ninguém se preocupou em retirar a placa", contou ao CM o nadador-salvador da praia ao lado, Luís Cascais, que acrescentou ainda que "as pessoas naquela zona morrem por não haver vigilância". Na praia desde 2000, Luís Cascais tece duras críticas às delegações marítimas e às capitanias. "Enquanto continuarem a receber o dinheiro das concessões, não vão fazer nada e as pessoas vão continuar a morrer", acusou.

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