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Correio da Manhã

Portugal
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Dez portugueses residentes em Wuhan repatriados por avião até ao final da semana

250 franceses e outros 100 cidadãos europeus também deverão ser repatriados caso o solicitem.
Ana Maria Ribeiro e João Saramago 29 de Janeiro de 2020 às 01:30
Vigilância criada pelas autoridades chinesas envolve um apertado sistema de observação dos passageiros dos voos domésticos e para o estrangeiro
Coronavírus
Marta Temido
Marta Temido é a ministra da Saúde
Vigilância criada pelas autoridades chinesas envolve um apertado sistema de observação dos passageiros dos voos domésticos e para o estrangeiro
Coronavírus
Marta Temido
Marta Temido é a ministra da Saúde
Vigilância criada pelas autoridades chinesas envolve um apertado sistema de observação dos passageiros dos voos domésticos e para o estrangeiro
Coronavírus
Marta Temido
Marta Temido é a ministra da Saúde

Até ao final da semana deverá ficar concluído o resgate dos dez portugueses residentes em Wuhan, cidade onde surgiu o foco do novo coronavírus na China. A ministra da Saúde, Marta Temido, avançou esta terça-feira que está desenhado o plano de saída.

"Faremos o seguimento dos protocolos, que são cuidados, detalhados e rigorosos. É preciso avaliar se as pessoas embarcam com algum sintoma, é necessário perceber se durante o voo acontece algum sintoma e se à chegada há algum sintoma", sublinhou. O esclarecimento detalhado da ministra da Saúde foi feito no mesmo dia em que a União Europeia decidiu enviar dois aviões para Wuhan. Os voos, que irão partir entre esta quarta-feira e sexta-feira, visam repatriar, devido ao novo coronavírus, 250 franceses e outros 100 cidadãos europeus que o solicitem, "independentemente da nacionalidade", indicou Bruxelas.


O serviço de Ajuda Humanitária da Comissão Europeia informou que, "à medida que o surto se intensifica, o Mecanismo Europeu de Proteção Civil foi ativado após um pedido de França", com o envio de dois aviões para repatriamento. A medida será financiada pela União Europeia. De acordo com o executivo comunitário, "apenas cidadãos saudáveis ou sem sintomas serão autorizados a viajar".

À chegada a Portugal, a ministra da Saúde, Marta Temido, adiantou que será, então, decido o confinamento dos cidadãos. "Isso terá de ser avaliado depois do processo de embarque, de determinação de transporte. Se tiverem algum sintoma, a situação será uma, se desenvolverem alguma sintomatologia durante o voo, a situação será outra", esclareceu, acrescentado ainda assim que, "se não apresentarem nenhuma sintomatologia na chegada", poderá "pedir-lhes que se abstenham de circular, que fiquem nos seus domicílios", dado o período de incubação do vírus.

Entretanto, as autoridades francesas confirmaram o quarto caso - um turista chinês de 80 anos. Na Alemanha, há agora quatro doentes.

Os primeiros infetados que não estiveram na China
O primeiro caso confirmado na Alemanha e o mais recente caso no Japão são de doentes que foram infetados nos seus países. As autoridades alemãs divulgaram que o alemão internado foi infetado por uma colega chinesa que esteve em formação na Baviera durante uma semana. A mulher só soube que estava doente quando regressou a Wuhan. A Alemanha colocou sob vigilância clínica 40 pessoas que estiveram em contacto com o alemão e a chinesa.

Avaliação médica à chegada
Os portugueses a retirar de Wuhan serão avaliados à chegada a Portugal para determinar o risco de exposição ao novo coronavírus e só depois serão tomadas eventuais medidas de isolamento social, explicou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas. "A primeira coisa que temos que perceber quando chegarem é o risco que têm de poder ter contraído uma infeção. Se o risco for muito pequeno não se tomam medidas", sublinhou.

No atual quadro de evolução da doença em Portugal a diretora-geral da Saúde afirmou que as medidas a adotar não serão tão restritivas como as definidas em França. Graça Freitas salientou ainda a importância de apurar a "história epidemiológica clínica" da pessoa.

Em França, a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, afirmou que os franceses que vão ser retirados da cidade chinesa, epicentro do surto de coronavírus (2019-nCoV) serão mantidos num local em confinamento por 14 dias. Este é o período de duração máxima estimada da incubação da doença. Terminado este período há a garantia de que não foram infetados pelo vírus. As autoridades francesas vão adotar estas medidas mesmo que não apresentem sintomas.

PORMENORES 
Presidente a acompanhar
O Presidente da República afirmou esta terça-feira estar a acompanhar a situação, adiantando que a comunidade portuguesa na China "ainda não foi atingida", assim como que está "tudo preparado para o seu acolhimento cá".

Pico da doença em 10 dias
O epidemiologista chinês, Zhong Nanshan, avançou que o pico da epidemia deverá ser atingido dentro de dez dias. O médico rejeita que haja propagação em grande escala.

Isolados em Wuhan
A Direção-Geral da Saúde frisou que "se os portugueses que já estiveram nos últimos 14 dias nas suas casas em Wuhan, não tiveram contactos com pessoas ou animais, não estiveram expostos a nada, não têm sintomas, não há nenhum motivo para os colocar em isolamento".

Experiência do México
Aquando da epidemia de gripe A, em 2009, com origem no México, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, recordou: "Pedíamos às pessoas que vinham e que poderiam ou não estar a incubar o vírus, que fizessem isolamento social voluntário".

Vacina em 40 dias
Investigadores chineses acreditam que dentro de 40 dias será testada a primeira vacina. A investigação pertence ao Hospital Oriental de Xangai e à Universidade de Tongji.

Risco de contágio por quinze dias 
As pessoas infetadas podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas, sem que o vírus seja detetado, revelou a OMS.

Triagem pela Linha de Saúde 24
Possíveis sintomas devem ser comunicados através da Linha Saúde 24, através do número 800242424, linha de apoio médico, para triagem e evitar possível contágio.

Acionados dispositivos
Portugal já fez acionar os dispositivos de saúde pública devido ao novo coronavírus e tem em alerta o Hospital de São João, no Porto, o Curry Cabral e Estefânia, em Lisboa.
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