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Correio da Manhã

Portugal
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DEZASSETE ASSALTAM CASA E LEVAM CRIANÇA

Um grupo de 17 homens ‘assaltou’ terça-feira à noite uma casa em Santa Catarina, Caldas da Rainha, para retirar à força uma criança de seis anos à mãe, que acusa o seu ex-companheiro de "vingança".
10 de Abril de 2003 às 00:00
Francisco Gomes
Francisco Gomes
O pai do menor justifica a atitude com a salvaguarda "do bem-estar" do rapaz, que afirma estar envolvido "num ambiente de prostituição, droga e assaltos".
O “assalto” à moradia onde vive Cármen Carnaxide, de 24 anos, e o actual companheiro, José Luís Loureiro, de 35 anos, aconteceu pelas 21h35.
A mulher contou ontem ao Correio da Manhã que o pai da criança queria levá-la, mas perante a sua recusa, o grupo de pessoas que o acompanhava - composto por familiares e amigos - arrombou a porta de vidro da entrada com uma botija de gás e entrou na casa.
De seguida, com uma motoserra cortaram a porta do quarto onde o casal e a criança se tinham refugiado e serraram um guarda-fato que estava a travá-la, levando o menor.
"Vinham dois deles com armas em punho e identifiquei-os todos. Apontaram-nos as pistolas e agarraram no miúdo e levaram-no. Recebi murros e pontapés no corpo, fiquei com hematomas e tive de ser radiografada e assistida no hospital", contou Carmen Carnaxide.
A mulher adiantou que foram roubados dois telemóveis e artigos em ouro - três fios, três pulseiras, três anéis e uma aliança.
José Luís Loureiro referiu que encontrou quatro balas não usadas, de calibre 6.35mm, no exterior da casa.
Os danos são avultados e a família apresentou queixa ontem à tarde na GNR das Caldas da Rainha.
Carmen Carnaxide afirma desconhecer o paradeiro do filho, acusando o pai de sequestro, como retaliação pela separação de ambos há quatro anos. "Não é o filho que ele quer, é a mim que ele e a família querem atingir", afirmou.
O pai do menor, Paulo Alves, de 28 anos, diz que participou na acção para retirar o filho "dos meios em que a mãe e companheiro estão envolvidos e o envolvem também",adiantando: "Quero é o bem do meu filho e não num ambiente de prostituição, droga e assaltos".
Paulo Alves afirma que a ideia de ir buscar a criança não foi sua, mas de "familiares e amigos que sabem que ela anda à borda da estrada na prostituição, não leva o filho ao jardim-escola e não se sabe onde o deixa". O indivíduo, “farto de esperar por uma decisão do Tribunal”, a quem requereu a custódia do menor, disse estar "desesperado" por sentir "os riscos que ele corre". Por isso, decidiu "tirá-lo daquele ambiente, porque a criança andava com conversas estranhas e medo".
Paulo Alves negou a utilização de qualquer arma ou agressão física no “assalto”, mas confirmou a utilização da botija de gás e da motoserra para entrar na casa.
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