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Correio da Manhã

Portugal
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Diretor castiga alunos com duches frios

Impunha punições por mau comportamento na escola Dr. Azevedo Neves, na Amadora.
Bernardo Esteves 31 de Julho de 2017 às 01:30
MP já está a investigar as denúncias dos castigos na escola Dr. Azevedo Neves
O aluno de 13 anos que relatou ao CM o castigo mandado aplicar pelo diretor
MP já está a investigar as denúncias dos castigos na escola Dr. Azevedo Neves
O aluno de 13 anos que relatou ao CM o castigo mandado aplicar pelo diretor
Assistente operacional foi chamado ao tribunal e confirmou banhos frios a uma dezena de alunos
MP já está a investigar as denúncias dos castigos na escola Dr. Azevedo Neves
O aluno de 13 anos que relatou ao CM o castigo mandado aplicar pelo diretor
MP já está a investigar as denúncias dos castigos na escola Dr. Azevedo Neves
O aluno de 13 anos que relatou ao CM o castigo mandado aplicar pelo diretor
Assistente operacional foi chamado ao tribunal e confirmou banhos frios a uma dezena de alunos
MP já está a investigar as denúncias dos castigos na escola Dr. Azevedo Neves
O aluno de 13 anos que relatou ao CM o castigo mandado aplicar pelo diretor
MP já está a investigar as denúncias dos castigos na escola Dr. Azevedo Neves
O aluno de 13 anos que relatou ao CM o castigo mandado aplicar pelo diretor
Assistente operacional foi chamado ao tribunal e confirmou banhos frios a uma dezena de alunos
José Biscaia, diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves, na Amadora, obrigava os alunos a tomarem duches frios de 15 a 20 minutos, por vezes no inverno, quando considerava o comportamento dos jovens inadequado. O caso motivou queixas de pais e está a ser investigado pelo Ministério Público, tendo sido já ouvidas diversas testemunhas. Um aluno de 13 anos, que frequenta o 6º ano, contou ao CM sobre o castigo de que foi alvo.

"Estava numa aula, respondi mal ao professor e ele disse que eu tinha de ir à direção. Cheguei lá e o diretor disse que não se responde mal ao professor e que era para eu ir tomar banho. Eu perguntei porquê e ele disse que ele é que mandava", contou o aluno, prosseguindo: "Fui para o balneário, e o contínuo disse para entrar para o duche. Tinha de estar nu e tomei banho de água fria cerca de 15/20 minutos. Depois saí e fui ter com o diretor. Ele perguntou se o banho foi bom e eu respondi ‘óbvio que não’".

O estudante diz conhecer mais dois alunos alvo do mesmo castigo e garante que depois da punição se sentiu "mal". "Às vezes não me apetecia ir à escola", confessou. O estudante acabou por reprovar o ano. O encarregado de educação confirma que o aluno ficou afetado: "Desde o castigo ficou magoado e com medo de ir à escola. Até hoje anda assim em baixo por causa destas coisas. Afetou-o muito, não estava a contar com isto".

O responsável da escola já foi afastado pelo Ministério da Educação, na sequência de um processo disciplinar motivado por queixas de professores devido a irregularidades na gestão do agrupamento. Os castigos com duches frios aos alunos não terão sido analisados no âmbito do processo disciplinar instaurado pela Inspeção-Geral da Educação. No dia 4 de julho tomou posse uma comissão administrativa provisória que vai preparar a eleição da nova direção. O CM tentou, sem sucesso, contactar José Biscaia.

Funcionário confirma "oito ou dez alunos"
Um funcionário da escola, que solicitou anonimato, confirmou ao CM as punições aplicadas aos alunos, nas quais colaborava por ordem do diretor José Biscaia. O assistente operacional confirma que já foi ouvido pelo Ministério Público. "Fui ouvido no Tribunal da Amadora. Fui chamado porque houve pais que fizeram queixa do diretor, por este dar banhos de água fria aos alunos que se portavam mal. Eu, como funcionário, fui lá depor porque fornecia as toalhas que me eram solicitadas", contou ao CM, acrescentando: "Eu ficava ali um bocadinho no balneário com eles quando o diretor se ausentava. Ficava ali mais cinco ou 10 minutos, para ver se eles não se iam embora ou paravam de tomar banho". O assistente diz ter conhecimento de castigos aplicados a "oito ou dez alunos", rapazes e raparigas. "Não era o mais correto, mas tinha de cumprir as ordens. Ele era o diretor", referiu.

Estudante ficou gelado
O encarregado de educação ouvido pelo CM diz que no dia do castigo, ocorrido em março deste ano, o estudante chegou a casa completamente gelado. "Ainda pensei ir com ele para o hospital, mas depois tomou um banho de água morna e ficou melhor", disse.

Não fez queixa
O encarregado de educação admite que não foi à escola apresentar queixa. "Não tinha ninguém que me apoiasse", afirmou ao CM. A população escolar é formada maioritariamente por estudantes de famílias carenciadas de origem africana.

Docentes denunciam
Diversas queixas apresentadas por professores, devido a irregularidades na gestão, estiveram na origem do processo disciplinar aplicado ao diretor que ditou a sua suspensão.

Docentes temem influência na gestão
Apesar de ter sido afastado pelo ministério, na escola muitos professores temem que Biscaia volte a influenciar a gestão do estabelecimento de ensino, apoiando um candidato à próxima direção.

Escola dedicada a cursos de áreas profissionalizantes 
A escola Dr. Azevedo Neves está sobretudo dedicada a cursos de áreas profissionalizantes. A população escolar é oriunda em especial de famílias carenciadas de origem africana. José Biscaia enalteceu várias vezes a qualidade da escola que liderou durante mais de 20 anos. O agrupamento tem cerca de 1300 alunos. Só a escola secundária tem entre 800 a 900 estudantes.

Responsável teve de devolver dinheiro
O diretor José Biscaia foi condenado a devolver dinheiro aos cofres do Estado,  na sequência do processo disciplinar que resultou no afastamento do cargo. O valor em causa é reduzido.
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