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Correio da Manhã

Portugal
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Diretor de pediatria do Garcia de Orta critica contratação de médicos em prestação de serviços

No final de março, a Ordem dos Médicos alertou para o risco de a urgência pediátrica encerrar em alguns dias de abril devido à falta de especialistas.
15 de Abril de 2019 às 13:40
Hospital Garcia de Orta
Hospital Garcia de Orta
Médicos exigem reforço na Urgência Pediátrica do Hospital Garcia de Orta
Hospital Garcia de Orta
Hospital Garcia de Orta
Médicos exigem reforço na Urgência Pediátrica do Hospital Garcia de Orta
Hospital Garcia de Orta
Hospital Garcia de Orta
Médicos exigem reforço na Urgência Pediátrica do Hospital Garcia de Orta
O diretor do serviço de pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada, no distrito de Setúbal, criticou esta segunda-feira a administração por contratar pediatras em regime de prestação de serviços, para colmatar a falta de especialistas na urgência.

"Vir alguém chefiar uma equipa de um hospital que não conhece é uma solução que não é aceitável, que eu nunca propus e não quero validar", disse Anselmo Costa, que se encontra demissionário desde outubro de 2018, em declarações à agência Lusa.

Segundo o médico, neste sábado estiveram ao serviço dois especialistas, um dos quais foi interno no Garcia de Orta e uma médica do Hospital Dona Estefânia, que "não conhece os serviços, os hábitos e a forma de funcionar".

No final de março, a Ordem dos Médicos alertou para o risco de a urgência pediátrica encerrar em alguns dias de abril devido à falta de especialistas, tendo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses ter precisado o último sábado, dia 13, por ser um dos dias em que a escala não estava assegurada.

No entanto, na semana passada, a administração do hospital garantiu que a urgência tem mantido a qualidade, apesar de funcionar com o serviço mínimo de três médicos (dois especialistas e um interno) e que, além do lançamento de concursos para a integração de seis a oito pediatras, iria implementar uma medida provisória para impedir o fecho da urgência, com a contratação de profissionais em regime de prestação de serviços.

No entanto, o diretor do serviço de pediatria considerou que "não é aceitável" um médico chefiar um hospital que não conhece.

"Uma coisa é entrar alguém novo para uma equipa de cinco ou seis e outra é entrar alguém novo para uma equipa de três e uma chefia leva ainda mais tempo. Ninguém de bom senso espera que um pediatra chegue ao serviço e de repente vá chefiar uma equipa daqui a uma semana", defendeu.

Anselmo Costa, apesar de ainda estar a exercer funções, encontra-se demissionário do cargo de diretor do serviço por não concordar com as medidas tomadas pela administração em relação à falta de médicos e pelas constantes "promessas" de contratação que não chegam.

"Estou demissionário desde outubro do ano passado, exatamente porque estava um bocadinho cansado de promessas, que não deram em nada e mantenho-me em funções porque não sou substituído e porque também achei que ia tentar lutar até ao fim", explicou.

Segundo Anselmo Costa, a urgência pediátrica do Garcia de Orta tem no total cinco pediatras (passando a quatro no próximo mês, devido à demissão de um deles), e a equipa padrão é constituída por um especialista e dois internos, o que se torna "penoso", porque os médicos ao serem poucos, acabam a fazer mais urgência do que o normal.

Além disso, de acordo com o pediatra, as escalas não estão a ser divulgadas com a antecedência devida, cerca de um mês, avançando que "nesta quarta ou quinta-feira ainda não está assegurada".

A Ordem dos Médicos revelou esta segunda-feira à TSF que pediu à administração do hospital o envio das escalas das equipas da urgência pediátrica para abril, afirmando que continua a existir o risco de encerramento durante a noite ou ao fim de semana.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, também explicou que a qualidade da urgência pode estar em causa devido à contratação de médicos em prestação de serviços.

"Não podemos ter um especialista que acabou a especialidade a ter o trabalho de um chefe de equipa. Os chefes de equipa conhecem o serviço, os doentes e resolvem os problemas maiores. Estamos a contratar quem estiver disponível no dia-a-dia e isso não garante nenhuma qualidade, não respeita a carreira médica, nem respeita os processos normais de funcionamento de equipa", frisou.

Além disso, na visão de Alexandre Valentim Lourenço, através deste método, o conselho de administração não está a dar condições para que os especialistas queiram fixar-se neste hospital, estando a "tapar buracos" e a "destruir um dos melhores serviços de pediatria que havia".

A Lusa tentou contactar o Hospital Garcia de Orta, mas até ao momento não foi possível obter declarações.
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