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Correio da Manhã

Portugal

DISSE-ME QUE NÃO MORDIA

Um susto que tão cedo não vai esquecer, dores que apenas passam com medicamentos e o medo que os filhos fiquem “para sempre” com medo de cães.
19 de Outubro de 2004 às 00:00
É assim que está, desde sábado, a vida de Goreti Silva, uma das duas mulheres que no espaço de doze horas foram mordidas por um cão de raça rotweiller em São Bernardo, Aveiro. De acordo com a vítima o animal, que foi treinado na GNR, pertence a um militar daquela força. Os ataques ocorreram na via pública quando o cão estava com trela mas sem açaime.
Goreti Silva contou ao CM que estava no seu restaurante quando o dono do animal – que diz ser seu cliente habitual e cabo da BT de Aveiro –, a chamou para lhe mostrar o rotweiller. “Fui com os meus dois filhos ver o cão. Perguntei-lhe se mordia e respondeu-me que não. Mesmo assim, quando vi a minha bebé de 14 meses a levantar-se para lhe fazer uma festa, tive receio, peguei-a ao colo e disse-lhe: ‘Senta-te aqui, amor’. Foi quando o cão me atacou”, conta Goreti Silva, que afirma só ter tido tempo de afastar a filha e desviar a cabeça para evitar ser mordida na cara. Ainda no hospital, Goreti foi visitada pelo dono do animal. “Disse-me que o cão tinha sido treinado na GNR e que ‘amor’ é a palavra-chave que os polícias usam para os mandar atacar”.
Entretanto o marido da vítima contactou com o dono do rotweiller. “Disse-nos que o cão tinha seguro e que nos dava os papéis no domingo, mas não voltou a falar connosco”, afirma. Goreti Silva, de 35 anos teve que receber 21 pontos desde a nuca até à orelha direita e tem tido imensas dores de cabeça que só consegue aguentar com medicamentos.
“Estou traumatizada, tal como os meus filhos que assistiram ao ataque e estão a receber apoio psicológico na escola porque a cena foi muito violenta. Podem ficar com medo de cães para sempre”. Goreti apenas quer que o dono do animal lhe pague as despesas médicas, mas não exige que o rotweiller seja abatido, como foi avançado pela TVI. “Não quero é que o deixem andar na rua. É um perigo.”
O CM tentou ouvir o proprietário do cão – para saber o destino do canídeo – mas este manteve-se todo o dia incontactável. Refira-se que é comum os cães da GNR, no final da sua ‘vida útil’ na Guarda, serem entregues a militares que passam a cuidar deles como animais de estimação.
'APANHADA' NO CABELEIREIRO
O segundo ataque do mesmo rotweiller deu-se no passado domingo quando mordeu uma mulher de 60 anos que se preparava para entrar num cabeleireiro em São Bernardo. “Reparei que estava um senhor com um cão pela trela à porta da loja. Quando estava a subir o primeiro degrau, o animal veio para cima de mim e lançou-me ao chão”, explica ao CM Elsa Matos, que ficou com escoriações no braço, uma vez que, segundo lhe disseram os médicos, a ferida não foi profunda.
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