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Correio da Manhã

Portugal
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'DIVORCIADOS' A TIRO

Um homem de 37 anos assassinou com um tiro de caçadeira um amigo de 52 anos, tentou matar a mulher e suicidou-se, ontem de madrugada, em Póvoa da Lomba, Cantanhede, ao que se presume por não aceitar o divórcio.
7 de Março de 2003 às 00:00
Os filhos do casal, um menino e uma menina, de 4 e 7 anos, acordaram com os tiros pelas 03h00 e terão assistido ao suicídio do pai, tendo percorrido mais de um quilómetro a pé, sozinhos, para pedir ajuda a uma amiga da família.

As crianças agiram a pedido da mãe que, apesar de estar muito ferida, ainda os aconselhou a levar uma pequena lanterna para verem o caminho. “Eles bateram-nos à porta em estado de choque, a dizer que o pai tinha dado um tiro na cabeça”, contou Cláudia Mendes, que foi a primeira pessoa a entrar na residência onde ocorreu o crime, situada na Rua do Penedo.

O homicida, Pedro Jorge Bandeira dos Reis Nunes, funcionário do Tribunal de Cantanhede, teve morte imediata, tal como Alberto da Silva Fernandes, engenheiro da Portugal Telecom em Aveiro, atingido com um tiro na cabeça.

Ricardina Maria Andrias Vasconcelos, de 35 anos, que trabalhava com Alberto Fernandes na PT, onde era secretária administrativa, também foi atingida na cabeça e está internada nos Hospitais da Universidade de Coimbra, em estado muito grave.

Segundo a GNR, razões passionais estarão na origem da tragédia, mas a presença de Alberto Fernandes é explicada apenas com a relação de amizade que o unia ao casal. Os dois homens estiveram a jantar juntos num restaurante antes de irem para a casa onde ocorreu o crime.

A PJ tem uma carta de Pedro Nunes, escrita a computador e cujo conteúdo é dirigido aos filhos, que ajudará a explicar o sucedido.

VÃO TER DE CHORAR UM BOCADO

As probabilidades de os acontecimentos de Póvoa da Lomba terem sido premeditados é elevada. Maria Fernanda Mendes e a filha, Cláudia Mendes, muito amigas de Pedro Nunes e Ricardina Vasconcelos, dizem que o casal estava em vias de separação e que o presumível homicida andava perturbado.

"Ela estava para pedir o divórcio, mas ele não queria aceitar", afirmaram ao Correio da Manhã. Na quarta-feira, pelas 19h30, Pedro pediu a Fernanda Mendes para lhe ficar com os filhos nessa noite. Duas horas depois, a amiga foi à casa do casal para falar com Ricardina, mas a mãe recusou deixar sair as crianças. Foi a última vez que falaram.

“Disse-lhe que não gostei do aspecto do Pedro, que estava transtornado, e ela respondeu-me que também tinha medo dele, mas não podia mostrá-lo”, contou. De acordo com as informações disponíveis, o funcionário do Tribunal de Cantanhede, natural de Arganil, jantou com Alberto Fernandes no restaurante ‘O Penedo’, enquanto a mulher ficou em casa com os filhos. Quando os dois homens chegaram já todos estariam a dormir. Pelas 02h30, Pedro ligou a Fernanda Mendes a pedir-lhe, de novo, para ir buscar as crianças. Esta negou e ele terá dito: “Então vão ter de chorar mais um bocado”.

Aparentemente, Pedro atingiu o engenheiro da Portugal Telecom, natural de Coimbra e residente em Aradas, com um tiro na cabeça, na sala. Depois foi ao quarto e alvejou a mulher, que estava a dormir na cama. Por fim, e quando os filhos já estariam acordados, apontou a caçadeira à cabeça e disparou.
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