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Correio da Manhã

Portugal
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Docentes nos museus

Os três mil professores do básico e secundário sem horário poderão candidatar-se, ainda este ano, às cerca de 200 vagas disponíveis para trabalhar, em tempo parcial, nos espaços culturais. Segundo o despacho conjunto dos Ministérios da Cultura e da Educação, publicado ontem, o Estado pretende aproveitar recursos humanos especializados para actividades ligadas à cultura.
4 de Novembro de 2005 às 00:00
Ministra da Cultura, Maria de Lurdes Rodrigues, quer aproveitar professores
Ministra da Cultura, Maria de Lurdes Rodrigues, quer aproveitar professores FOTO: Jorge Paula
“As estruturas do Ministério da Educação deverão, em tempo oportuno, publicar um edital a convidar estes professores para se candidatarem aos lugares”, disse ao CM Maria do Céu Novais, assessora de Imprensa do Ministério da Cultura.
Cabe à tutela da Cultura, numa fase de selecção, analisar os currículos dos três mil docentes potencialmente candidatos e chamá-los para uma entrevista eliminatória. Uma vez empregados nestas novas funções, os professores até poderão vir a integrar os quadros deste sector.
“Não sei se é a melhor solução”, diz Carlos Pires, secretário-geral do Sindicato Nacional Democrático dos Professores. “É uma medida positiva, caso os docentes tenham vocação e desejo para mudarem de profissão.”
Mais optimista no trabalho dos dois professores que irá integrar mostra-se Pedro Lapa, director do Museu do Chiado. “São pessoas que vão potenciar uma articulação entre a escola e o museu.” O director acredita que o ensino secundário tem muito a ganhar com esta colaboração. “Quebra o estereotipo de que os museus estão cobertos de pó e de coisas velhas e sem interesse.”
Entre outros espaços culturais dispostos a receberem professores, numa lista crescente que já integra 45, está a Companhia Nacional de Bailado, o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, parques arqueológicos, palácios e mosteiros.
MAIS OPORTUNIDADES
Ontem, foi ainda assinado um segundo despacho, que promove um programa para o desenvolvimento de projectos educativos na área da cultura. Maria do Céu Novais explica que os professores sem horário poderão ainda candidatar-se a projectos de ligação entre escola e estruturas culturais, através de propostas de actividades extracurriculares a desenvolver nos estabelecimentos de ensino. “Prevê-se que a medida absorva um número maior de profissionais.”
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