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Correio da Manhã

Portugal
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Doente morre à espera de evacuação aérea

A família de Rui Pereira, de 74 anos, doente renal crónico que faleceu na madrugada de sábado à espera de ser transferido de helicóptero para Lisboa, poderá vir a processar o Hospital Distrital de Faro (HDF) por não ter feito as diligências necessárias para o transporte aéreo de urgência.
13 de Setembro de 2006 às 00:00
“As entidades competentes têm de actuar e o caso vai ser tratado nas devidas instâncias”, disse ao CM o filho da vítima, médico dentista de profissão com o mesmo nome, que exige uma avaliação dos registos do Centro de Orientação de Doentes Urgentes.
O CM apurou junto do Instituto Nacional de Emergência Médica que o pedido do HDF para a evacuação aérea só chegou ao INEM por volta da meia-noite de sexta-feira. A Administração do HDF não esteve ontem disponível para comentar o caso, mas anunciou a abertura de um inquérito devido a informações contraditórias sobre o horário do pedido de evacuação.
Rui Pereira, reformado da Marinha e antigo comandante do Porto de Lisboa, fazia hemodiálise todos os dias. Apesar de residir na capital, onde era seguido por médicos, tinha segunda casa em Armação de Pêra, que visitava com frequência. Foi aí, por volta das 13h00 de sexta-feira, que teve uma crise. Segundo referiu Emília Santos, tia da mulher da vítima, a ambulância demorou duas horas e meia. Durante esse tempo, Isabel Maria Pereira, mulher de Rui Pereira, contactou os médicos do marido, que a aconselharam a seguir de imediato para Lisboa. Como o prognóstico clínico não aconselhava a viagem, Rui Pereira foi transportado para o HDF, de onde deveria seguir de helicóptero para o Hospital de Santa Cruz, em Lisboa.
O doente esteve em observação toda a tarde, enquanto a mulher viajou para Lisboa, onde foi informada de que o transporte não seria efectuado devido à impossibilidade de o helicóptero aterrar em Faro.
É importante saber a hora a que o pedido foi feito, porque há limitações em Faro no período nocturno (ver caixa). O director do Aeroporto de Faro garante não ter recebido o pedido formal para abertura extraordinária das pistas. O helicóptero do INEM aterrou em Loulé, mas o doente não foi transportado por não estar estável. Teria sido sujeito a uma cirurgia, que teve complicações.
RESTRIÇÕES NOCTURNAS
É diferente a actuação na evacuação por helicóptero de doentes nos hospitais algarvios. No Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, em Portimão, que este ano já realizou 30 evacuações (32 em 2005), os helicópteros podem operar durante as 24 horas do dia. Uma equipa faz esse serviço nos períodos diurno e nocturno. No Hospital Distrital de Faro apenas é possível realizar essas evacuações entre as 08h00 e as 20h00 no heliporto do hospital e entre as 06h00 e as 24h00 no Aeroporto de Faro. Uma diferença que José Apolinário, presidente da Câmara de Faro, considera “inaceitável”, afirmando que “o fecho do Aeroporto de Faro ao tráfego aéreo entre a meia-noite e as seis horas da manhã tem de ser solucionado”. O autarca diz que há que tomar medidas e encontrar soluções entre os diversos corpos de bombeiros “para se evitarem ocorrências como a que aconteceu com este caso”. Apolinário diz ainda não fazer sentido que “por meras questões economicistas, Faro fique sem ligações aéreas de noite”.
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