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Correio da Manhã

Portugal
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Doentes esperam horas intermináveis para receber cuidados médicos no Hospital Amadora-Sintra

Jornalistas do 'Investigação CM' infiltraram-se nas urgências de uma das unidades hospitalares mais importantes da Grande Lisboa.
Francisca Genésio 17 de Julho de 2019 às 21:29
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Doentes esperam horas intermináveis para receber cuidados médicos no Hospital Amadora-Sintra

O 'Investigação CM' infiltrou-se nas urgências do Hospital Amadora-Sintra com uma câmara oculta e testemunhou a incapacidade de resposta do serviço. Assim como a unidade hospitalar, os centros de saúde da Grande Lisboa, vem o mesmo drama. 

Horas de espera intermináveis, cuidados insuficientes e pessoas que acabam por desistir. Este é o cenário encontrado pela equipa da 'Investigação CM'. 

Cerca da 00h50, estavam inscritos 95 utentes para atendimento no Hospital Amadora-Sintra. De acordo com o painel eletrónico, o tempo médio de espera para pulseira amarela - dada a pacientes cujo estado seja 'urgente' - era, em média, uma hora.

Este tempo médio é estabelecido pela escala de Manchester. No entanto, há pacientes que após horas de espera acabam por desistir.

Os doentes relacionam diretamente a falta de médicos com o aumento do tempo de espera, mas o 'Investigação CM' constatou que a escassez de profissionais é geral. Andam todos, desde médicos a enfermeiros, de um lado para o outro. Não páram. As respostas aos doentes são muito vagas. Não têm tempo a perder. Não lhes compete gerir o caos nem responder a questões para as quais não têm resposta.

Compete-lhes, no entanto, garantir o melhor atendimento possível.

A maioria das pessoas que constam nesta sala de espera têm pulseira verde. A escala de Manchester determina que esta cor é dada a doentes menos urgentes. Ou seja, a população podia ter recorrido ao centro de saúde. Porém, nesta zona da Grande Lisboa, o cenário de caos não é muito diferente nos cuidados de saúde primários.

O Hospital Amadora-Sintra foi construído para servir cerca de 300 mil pessoas, mas dá resposta a mais do dobro: 600 mil utentes.

Segundo a Ordem dos Médicos, nesta unidade hospitalar, faltam mais de 90 médicos, sobretudo anestesiologistas e obstetras.

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