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Correio da Manhã

Portugal
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DOENTES FORA DOS HOSPITAIS

O ministro da Saúde quer tirar dos hospitais os milhares de doentes internados que já não necessitam de cuidados hospitalares, como as vítimas de doenças degenerativas e crónicas e os utentes que ali são abandonados pelas famílias, especialmente idosos.
15 de Julho de 2003 às 00:00
A maioria dos utilizadores de cuidados continuados são idosos, doentes crónicos
A maioria dos utilizadores de cuidados continuados são idosos, doentes crónicos FOTO: Sérgio Freitas
Trata-se de libertar camas dos hospitais onde cada doente custa 210 euros por dia. Para isso, o Governo prepara-se para aprovar, até ao final do mês, um decreto-lei, a que o CM teve acesso, que cria uma rede de cuidados continuados - semelhante à que foi criada para os centros de saúde.
A rede para os cuidados continuados, segundo o diploma, é composta por estabelecimentos do próprio Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas também de privados e sociais. Os serviços a prestar são de três tipos: apoio domiciliário, reabilitação e internamento. Os destinatários são os utentes com problemas resultantes de doenças crónicas, com patologia degenerativas, limitações funcionais, dependência e problemas físicos-psicológicos.
A reabilitação é dada em “Unidades de Recuperação Global” que “visam a reabilitação em regime de dia” e a “Unidade Móvel Domiciliárias” “presta cuidados pluridisciplinares no domicílio”.
ENCAMINHAR UTENTES
Os serviços de internamento de doentes chamam-se “Unidades de internamento” e destinam-se a “ser utilizadas pelos utentes aos quais sejam prescritos cuidados em regime de internamento”. Ou seja, os médicos dos hospitais podem encaminhar os doentes para estas unidades, onde o internamento é mais barato para o Estado.
Segundo dados do Ministério da Saúde (MS) cada doente acamado num hospital custa ao Estado 210 euros por dia. Mas num serviço de cuidados continuados, seja público, privado ou social, os custos são muitos inferiores uma vez que o número de profissionais e equipamento é inferior.
Aliás, no próprio documento, é referido que a prestação de cuidados continuados aos utentes do SNS por misericórdias ou entidades privadas tem “uma relação de melhor custo-benefício”.
Para que os cidadãos possam recorrer a serviços de apoio domiciliário, reabilitação ou internamento o MS vai fazer protocolos com entidades privadas e sociais. Além disso, o diploma prevê que alguns serviços do SNS, destacados para os cuidados continuados, possam ser geridos por privados, mediante contrato de gestão, ou por grupos de profissionais, através de convenções.
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