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Correio da Manhã

Portugal
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Doentes jantam ao lado do morto

O cadáver de uma mulher permaneceu durante duas horas junto a doentes e familiares, numa enfermaria do Hospital de São José. A situação decorreu quarta-feira, durante o período de visitas, e estendeu-se à hora da refeição dos doentes. Quem assistiu ficou indignado.
13 de Agosto de 2010 às 00:30
Hospital de São José diz que o corpo se manteve resguardado e longe dos olhares dos doentes
Hospital de São José diz que o corpo se manteve resguardado e longe dos olhares dos doentes FOTO: Pedro Catarino

"A senhora começou a sentir-se mal e chamámos os enfermeiros, que lhe deram oxigénio. Apercebeu-se perfeitamente de quando morreu e até puxaram a cortina, mas o cadáver da mulher lá ficou, durante várias horas", conta ao CM uma familiar que assistiu.

"Disseram que tinham normas a cumprir e não podiam tirar dali o corpo", adianta, frisando que "o calor era infernal e o ar condicionado estava avariado".

Em comunicado, o Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra o Hospital de São José, refere que "o corpo da doente nunca esteve exposto aos olhares nem ao contacto com os outros doentes e visitas". Adianta que se manteve "totalmente resguardado durante duas horas, até à recolha e encami-nhamento para a morgue".

O facto de o cadáver ter ali permanecido entre as 18h30 e as 20h30, período durante o qual servem uma refeição aos doentes, ainda chocou mais os familiares. "A distância entre as camas é mínima e sabe-se que está ali um morto", refere a familiar.

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