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Correio da Manhã

Portugal
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Doentes mentais regressam à família

O ministro da Saúde, Correia de Campos, pode vir a encerrar alguns hospitais psiquiátricos de Lisboa, Coimbra e Porto. O objectivo é reduzir o internamento hospitalar e devolver os doentes mentais às suas famílias. Mas só àquelas que se mostrem favoráveis ao seu acolhimento.
3 de Novembro de 2005 às 00:00
O Hospital Miguel Bombarda pode vir a ser substituído por serviços do Ministério da Saúde
O Hospital Miguel Bombarda pode vir a ser substituído por serviços do Ministério da Saúde FOTO: Jorge Godinho
Num encontro com os jornalistas, o responsável pela tutela da Saúde admitiu que, na linha do que acontece noutros hospitais psiquiátricos europeus, tem vindo a diminuir os internamentos dos doentes mentais.
Em estudo está, acrescenta, a possibilidade de serem encerrados os Hospitais Miguel Bombarda (Lisboa), Sobral Cid e Lorvão (ambos em Coimbra), Magalhães de Lemos e uma “outra unidade de saúde do Porto”.
Quanto ao lisboeta Miguel Bombarda, Correia de Campos admite que “a unidade pode vir a acolher serviços do Ministério da Saúde” – à semelhança do que acontece com o Hospital Júlio de Matos (Lisboa), em cuja área geográfica funcionam outros serviços ligados ao sector da Saúde.
Sem excluir a futura hipótese da “alienação do património”, Correia de Campos adiantou ao CM que o que se pretende é reduzir a modalidade dos internamentos asilares. “Os doentes mentais devem poder regressar às suas famílias, mas esse regresso será feito na base do voluntariado.”
Apesar de não ter sido informado desta intenção governamental, ainda em fase de estudo, o director do Hospital Magalhães de Lemos, António Leuschner, reconhece que os períodos de internamento, na medicina em geral, têm vindo a ser encurtados, o mesmo acontecendo na psiquiatria. Contudo, aconselha alguma prudência na medida. “O número de camas tem vindo a reduzir e os internamentos são mais curtos. Mas estas medidas não podem ser tomadas de forma intempestiva – só com parecer técnico fundamentado.”
Naquele Hospital estão internados 145 doentes, 22 dos quais com internamentos que duram até há 15 anos.
MEDICAMENTOS GRÁTIS
Os pensionistas que recebem os rendimentos mínimos podem voltar a usufruir da comparticipação total dos remédios. Para isso basta que façam prova da sua condição e permitam o acesso aos seus dados fiscais, anunciou o ministro da Saúde.
Correia de Campos explicou ainda que “18 por cento da população portuguesa são pensionistas que recebem abaixo da pensão mínima”, mas 53 por cento das comparticipações de medicamentos em Portugal têm a indicação da vinheta verde (que identifica estes pensionistas).
Quando estes pensionistas forem renovar o seu direito à vinheta verde, terão de assinar um compromisso de honra que ateste a sua situação e um termo de responsabilidade para que o Ministério aceda à informação fiscal.
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