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Correio da Manhã

Portugal
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DRAMA NO PORÃO

A explosão, seguida de incêndio, durante operações de corte com maçarico num porão do petroleiro ‘Gerês’, em reparação nos estaleiros da Lisnave, na Mitrena, Setúbal, causou ontem de manhã um morto, três feridos graves e seis feridos ligeiros.
19 de Dezembro de 2003 às 00:00
Logo que foi conhecida a notícia da explosão, várias dezenas de pessoas dirigiram-se à portaria da Lisnave, com a preocupação estampada no rosto, para saber se entre as vítimas estavam os seus familiares. Acabaram apenas por deparar com o silêncio por parte da administração da Lisnave. As poucas notícias foram sendo trazidas pelos operários que iam saindo e por elementos da Comissão de Trabalhadores. A mulher de uma das vítimas, já de idade, acabou por ser assistida pelos presentes, quando ficou em choque ao saber do que se passara com o seu marido.
Apesar de tudo, ao final da tarde um representante da administração da empresa repetiu até à exaustão que a Lisnave tivera “a preocupação de identificar os sinistrados e de dar uma resposta às pessoas”.
O acidente a bordo de um dos nove barcos da Soponata ocorreu cerca das 11h00, quando no porão cinco trabalhadores da Palomital-Metalomecânica, em regime de sub-empreitada, e quatro tripulantes do navio, realizavam trabalhos de caldeiraria. No local estava também presente um bombeiro da Lisnave, em cumprimento das normas de segurança.
A vítima mortal foi um dos tripulantes, de nacionalidade filipina. Dos feridos graves, o que ficou em pior estado foi transportado de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, Lisboa, enquanto um outro foi levado para o Hospital do Barreiro. Deste grupo de feridos consta ainda o bombeiro.
No Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, deram entrada seis feridos, três dos quais, Álvaro Leitão, 52 anos, Luís Santos, 42 e um filipino, 25 anos e identificado apenas por Fredy, foram transferidos para o Hospital de S. José, em Lisboa. Dos restantes – dois portugueses, de 41 e 55 anos e um filipino, cuja idade não foi revelada –, dois inspiravam alguns cuidados e o terceiro recebeu alta ao princípio da noite.
A Protecção Civil e a Comissão de Trabalhadores confirmaram que foram cumpridas as normas mínimas de segurança. O ‘Gerês’ estava em reparação desde 3 de Dezembro e devia estar pronto ainda esta semana.
"DEPOIS DOS MINEIROS É DOS TRABALHOS MAIS PERIGOSOS"
“Trabalhar nos porões dos navios é muito duro. Depois dos mineiros é dos trabalhos mais perigosos.” A emoção toma conta da voz de Emídio Duarte, um trabalhador da Lisnave revoltado com os acontecimentos de ontem. “A segurança ainda vai andando, mas as condições de trabalho são muito beras. Aqui não se pode fazer polivalência, porque isto é um trabalho muito rigoroso”, continua este operário que já assistiu a duas explosões deste tipo e viu camaradas seus morrerem nos acidentes.
Também muitos dos familiares dos operários da Lisnave, que foram ao local saber se os seus tinham sido atingidos pelo sinistro, manifestaram a sua revolta, mas pela falta de informação por parte da administração da empresa. As escassas informações apenas chegavam por operários que saíam no final do seu turno e por elementos da Comissão de Trabalhadores que se disponibilizaram a esclarecer as famílias inquietas. De facto, na portaria da Lisnave, não esteve ninguém da administração presente.
OUTROS CASOS
QUEEN MARY II
Quinze pessoas morreram e 20 ficaram feridas num trágico acidente nos estaleiros navais franceses de Saint Nazaire, durante uma visita de individualidades e grupos de crianças ao Queen Mary II, o maior navio de passageiros do Mundo, com capacidade para 2260 passageiros, que se encontra em construção naquele cais. O acidente ocorreu a 15 de Novembro e causou uma dor profunda em França.
FRONT LORD
Uma explosão no petroleiro Front Lord, atracado do porto de La Luz, em Las Palmas, provocou a morte de dois operários e ferimentos noutro. O acidente foi em 6 de Dezembro do ano passado quando o navio ganês, de 322 metros, se encontrava a ser recuperado há três dias naquele porto espanhol das Canárias, após provir de Bilbau com destino à Nigéria. Os depósitos estavam vazios, mas chegou a temer-se pela existência de bolsas de gás.
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