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Correio da Manhã

Portugal
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Duas corporações de bombeiros do concelho de Sintra admitem despedimentos

As corporações de bombeiros de Agualva-Cacém e de Algueirão-Mem Martins, as maiores do concelho de Sintra, admitem avançar com despedimentos de bombeiros devido à redução da comparticipação do Estado no transporte de doentes não urgentes.
18 de Dezembro de 2011 às 11:32
Corporações de bombeiros de Agualva-Cacém (na foto) e de Algueirão-Mem Martins admitem avançar com despedimentos
Corporações de bombeiros de Agualva-Cacém (na foto) e de Algueirão-Mem Martins admitem avançar com despedimentos FOTO: Sérgio Lemos

Segundo adiantou à agência Lusa o comandante dos bombeiros de Algueirão-Mem Martins, Joaquim Leonardo, dos 14 bombeiros que se encontram no serviço de transporte de doentes, 10 vão perder o emprego até Fevereiro, entre despedimentos e a não renovação dos contractos.  

"É impossível continuar com o transporte de doentes porque estaria a hipotecar a associação", disse. Na corporação de Agualva-Cacém, que tem vinte mil associados, desde Novembro, altura em que entrou em vigor a alteração de regras na comparticipação deste serviço, houve "uma quebra de setenta por cento" da facturação. 

"Agora, temos sete viaturas e 14 homens para este serviço. E vamos despedir 70 por cento desses homens. Chegámos ao ponto em que estamos a fazer transportes a 0,75 euros, de Agualva-Cacém para o centro de fisioterapia de Mira-Sintra", disse à Lusa Luís Silva, o presidente da direcção da associação humanitária que gere esta corporação.  

As duas corporações alegam que o facto de o serviço de transporte de doentes já não contemplar o pagamento do retorno das viaturas, após a deslocação aos equipamentos de saúde, e as alterações ao pagamento dos quilómetros põem em causa a viabilidade financeira das associações de bombeiros.  

"Actualmente, uma ambulância com dois funcionários e uma ocupação de seis horas gera uma receita de 38,64 euros. Durante esse tempo, cada funcionário recebe no mínimo 3,5 euros por hora, que resulta num custo total de 42 euros. Ora, a associação vai facturar 38,64 euros, mas logo à partida gasta em recursos humanos 42 euros, faltando ainda incluir o combustível", disse o comandante de Algueirão-Mem Martins.  

Joaquim Leonardo adiantou que Algueirão-Mem Martins já tem recusado vários serviços de transporte de doentes não urgentes, justificando que não seriam viáveis financeiramente.  

O responsável explicou que apesar de a "missão dos bombeiros não ser a obtenção de lucro", as verbas que as corporações normalmente recebiam até Novembro pelo transporte de doentes eram utilizadas para a renovação das frotas (cada ambulância custa 60 mil euros) e para melhorar as condições dos serviços prestados às populações.  


Contactado pela agência Lusa, o vice-presidente da Câmara de Sintra, Marco Almeida, disse que, para fazer face às dificuldades das corporações, a autarquia está a estudar a contratação das associações de bombeiros para fazer o transporte de alunos no próximo ano lectivo.  

"Os limites no transporte de doentes vai provocar constrangimentos nas corporações de bombeiros


 do concelho, porque houve investimento em infra-estruturas, ao nível das viaturas, mas também ao nível da contratação de pessoal. Acreditamos que vale a pena ponderar que parte desse serviço [de transporte de alunos] possa ser feito com recurso aos meios hoje disponíveis nas corporações de bombeiros", disse.  

Actualmente, o município paga o transporte anual de 6500 alunos a empresas privadas, num valor que ronda os dois milhões de euros.

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