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Correio da Manhã

Portugal
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Dupla ataca de moto

"Dá-me o cofre já", gritou o assaltante, de pistola apontada à cabeça do único funcionário da casa de câmbio Exchange, na avenida Bento Gonçalves, em Setúbal. Eram 19h00 de quarta-feira e no exterior aguardava um segundo ladrão, numa moto. Quinze minutos depois, a dupla voltou a atacar, numa loja de telecomunicações onde fez quatro reféns. Ontem, os mesmos ladrões regressaram aos roubos, em Palmela. Desta vez na ourivesaria Bela Jóia. Levaram 15 000 euros em ouro e deixaram em pânico a funcionária que foi, várias vezes, ameaçada de morte.
19 de Dezembro de 2009 às 00:30
Atacaram a MobileStore onde fizeram 4 reféns
Atacaram a MobileStore onde fizeram 4 reféns FOTO: Vítor Mota

Na loja de câmbios, o ladrão entrou de forma violenta e com o capacete a esconder-lhe a cara. Lá fora aguardava o cúmplice, que vigiava a entrada e cronometrava o colega. "Era muito duro nas palavras. Metia medo. Depois de gritar com o funcionário foi para trás do balcão e tirou tudo o que quis para um pequeno saco", conta uma testemunha, que pediu anonimato.

Os dois assaltantes eram rigorosos e quando o ladrão que entrou se atrasou no tempo planeado foi avisado pelo comparsa com o acelerar da moto.

Quinze minutos depois, os mesmos ladrões, ainda com o saco cheio de dinheiro, dirigiram-se à loja MobilStore, na avenida Bento Jesus Caraça. Aproveitando a porta aberta, fizeram reféns as quatro pessoas no local – dois funcionários e dois clientes. A violência foi igual: gritos pelo cofre; estender do saco; e sinal com a moto do tempo gasto no roubo. Ontem, foi a mesma coisa: um entrou e com o mesmo saco obrigou a funcionária a entregar os artigos em ouro.

"Normalmente temos sempre a porta fechada, mas naquele dia foi diferente. As pessoas ficaram muito assustadas mas foi rápido. Tiveram a lata de ainda trazer o dinheiro da outra loja no saco com o qual me assaltaram", lamenta o dono da MobilStore, Pedro Sousa. Na semana passada, o mesmo estabelecimento foi assaltado. "De certeza que foram os mesmos".

Os lamentos são iguais: falta de agentes da PSP a patrulhar e aumento da insegurança.

PORMENORES

QUATRO VEZES

A MobilStore já foi assaltada quatro vezes desde Março deste ano. O proprietário lamenta a situação e diz que o prejuízo da sucessão de assaltos é "bastante elevado".

EM FUGA

Ao que o CM apurou junto de fonte policial, os dois ladrões continuam a monte. Depois de efectuarem os roubos, fugiram na moto e não mais foram vistos. São suspeitos da prática de outros crimes semelhantes.

SEM SOTAQUE

De acordo com a testemunha do assalto à loja de câmbios, e o proprietário do estabelecimento de comunicações, a dupla não fala com sotaque e tem voz e físico de "gente jovem".

INSEGURANÇA

"Sentimo-nos muito inseguros. Estou a pensar em mudar as portas para tornar a minha loja muito mais segura. Basta apontarem-nos uma pistola para ficarmos logo em pânico", diz, revoltado, Pedro Sousa.

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