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Correio da Manhã

Portugal
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“É melhor dar-me que pagar ao Estado”

Durante anos, dois militares da GNR do subdestacamento de trânsito de Santa Maria da Feira viveram favorecidos por esquemas de corrupção, descobertos pela Judiciária. No próximo dia 18, o juiz de instrução criminal do DIAP de Aveiro decide se leva os guardas, que estão suspensos de funções, a julgamento.
7 de Janeiro de 2011 às 00:30
Um soldado e um cabo da GNR estão acusados de liderarem esquema de corrupção, que durou vários anos
Um soldado e um cabo da GNR estão acusados de liderarem esquema de corrupção, que durou vários anos FOTO: Alexandre M. Silva

Vítor Liberato, de 41 anos, residente em Canelas, Gaia, e Manuel Augusto, de 44, oriundo de Santa Maria da Feira, terão recebido pagamentos monetários, refeições de centenas de euros e abastecimentos gratuitos de gasolina. Em troca, não multavam ou avisavam os condutores e empresários envolvidos da presença de radares de controlo de velocidade. A quem não aceitasse entrar no esquema, eram lhes cobradas multas de trânsito de milhares de euros.

"É melhor dar-me a mim do que ao Estado", terá dito o soldado Manuel Augusto a Daniel Morais, gerente de uma empresa que, em 2008, recusou pagar 200 euros aos militares para não o autuarem por ilegalidades com os tacógrafos dos camiões. Acabou sujeito a uma multa de 10 000 euros.

Liberato, o cabo acusado de 24 crimes – de corrupção passiva, abuso de poder e prevaricação –, terá abastecido o seu automóvel durante três anos às custas de uma empresa de sucatas. Mas, a mudança de sócios da firma pôs termo, durante algum tempo, à situação. A partir daí, todos os camiões da firma foram multados várias vezes, com coimas elevadas. Dois dos sócios foram, inclusive, alvos de perseguições.

GNR DIAP AVEIRO
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