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Correio da Manhã

Portugal
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É muito bem-disposta

A pequena Esmeralda “está bem”, embora com “muitas saudades” do pai afectivo e a denotar “um esboço de rejeição” ao jardim-de-infância, revelou ontem Luís Villas-Boas, director do Refúgio Aboim Ascensão, depois de visitar a menor, Adelina Lagarto e o 1.º sargento Luís Gomes.
4 de Maio de 2007 às 00:00
“Está muito bem. É uma criança encantadora, muito bem organizada, bonita e bem-disposta. Está muito bem enquadrada. Gostei muito de a conhecer”, destacou Luís Villas-Boas. No entanto, ressalva, “tem um tom de tristeza. Há uma falta, está em sofrimento, que terá a ver com a ausência de uma relação triangular, de um pai”, de quem a mãe afectiva diz “que está no quartel, a trabalhar, mas que Esmeralda, naturalmente, vê de vez em quando na televisão”.
A menina “tem a noção de que o pai está há muito tempo no trabalho e sente muita falta dele. A situação é altamente contrária à estruturação da personalidade de uma criança com cinco anos”, referiu o director do Refúgio Aboim Ascensão.
Luís Villas-Boas e Esmeralda Porto – que a família afectiva trata por Ana Filipa – falaram durante algum tempo. A menina mostrou saber algumas coisas do seu trabalho com crianças – que lhe terão sido transmitidas por Adelina Lagarto – e tê-lo-á visto na televisão. Também falaram sobre o jardim-de-infância, de que Esmeralda “gosta muito”, tendo referido o nome das educadoras. Mas o director do Refúgio Aboim Ascensão considera que, “neste momento”, a menor apresenta um “esboço de rejeição à escola”, devido às visitas dos pais biológicos: “Viu uma vez os dois e a reacção foi igual à de qualquer criança que vê estranhos.
No dia em que teve o encontro com um deles vomitou e disse que não queria ir à escola. O surgimento de pessoas alheias pode ser danoso e induzir uma fobia escolar”, explicou Luís Villas-Boas, que não falou com os pais afectivos de Esmeralda sobre os processos judiciais.
Durante a visita à menor, em Torres Novas, que durou 20 minutos, Villas-Boas entregou-lhe uma prenda de anos, escolhida por Maria Barroso, a primeira subscritora da petição de ‘habeas corpus’ do sargento Luís Gomes. É um conjunto de calça meia perna, cor-de-rosa, com chapéu, próprio para o Verão. No encontro estiveram também a mãe e a avó paterna afectivas.
A menina desembrulhou a prenda de anos – que fez a 12 de Fevereiro – e gostou muito. “É um conjunto muito bonito”, referiu o responsável do Refúgio Aboim Ascensão, adiantando que não foi entregue pela ex-primeira dama por falta de disponibilidade.
PAI AFECTIVO DETERMINADO E SERENO
Sobre a visita a Luís Gomes, no Presídio de Tomar, que durou menos de meia hora, Luís Villas--Boas destacou que ele “mantém uma serenidade e determinação” que o “impressionaram”. “Revela uma grande coragem. Falou-me da filha, de quem tem muitas saudades – o mesmo me disse ela. Pediu-me para lhe dar um grande beijinho. Já lho dei, aliás dei dois.” Para o director do Refúgio Aboim Ascensão, Adelina Lagarto e o marido são “pessoas determinadas na assunção da maternidade e da paternidade. Ele mostra calma e abnegação e ela carinho, cuidado e enlevo”.
FUTURO
OPTIMISMO
Quanto aos processos judiciais, Luís Villas-Boas deseja que a Justiça “seja capaz de quebrar o enviesamento que criou”. “Os pais são estes e serão sempre”, afirma, destacando que o casal mantém “um optimismo moderado, contido”.
ADOPÇÃO
O director do Refúgio Aboim Ascensão “não entende como útil a aproximação” da menina aos pais biológicos, antes defende que deveria decidir-se por uma adopção restrita a favor do casal Gomes.
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