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Correio da Manhã

Portugal

ECSTASY ERA FEITO EM ALBUFEIRA

A Polícia Judiciária (PJ) de Faro desmantelou, em Albufeira, um laboratório de fabrico e comercialização de ecstasy, o primeiro a ser detectado pelas autoridades em território nacional. A operação resultou na maior apreensão deste produto no nosso País, num total de 82.991 comprimidos.
25 de Julho de 2002 às 22:23
Na sequência da acção, denominada ‘Operação Laboratório’, foram detidos seis indivíduos, com idades compreendias entre os 19 e os 35 anos, dois dos quais de nacionalidade estrangeira, responsáveis pela fábrica instalada na região há pelo menos um ano.

Os restantes quatro suspeitos, todos portugueses e estudantes, dedicavam-se à revenda do produto no mercado nacional, a partir do Algarve.

De acordo com o coordenador de Investigação Criminal da PJ de Faro, inspector Gonçalo Amaral, a operação resultou de investigações realizadas nos últimos doze meses, período durante o qual foram efectuadas diversas apreensões de comprimidos identificados com o mesmo logotipo, consistência e cor, provenientes do referido laboratório.

Trata-se, segundo se apurou, de ‘pastilhas’ fabricadas com produtos provenientes de um país europeu, não divulgado pela PJ, revestidas pelas cores salmão e rosa, que apresentam numa das bases o desenho de um anel.

Características que permitiram aos inspectores da PJ localizar o laboratório onde operavam os dois estrangeiros, cuja nacionalidade não foi revelada.

Na residência onde se encontrava instalada a fábrica, protegida por um sofisticado sistema de vigilância electrónico, foram detectados, para além dos comprimidos já acondicionados em várias dezenas de pacotes destinados à revenda, diversas matérias utilizadas na composição do ecstasy e objectos necessários à sua produção, entre os quais, embalagens de corantes e uma prensa.

No local foram ainda apreendidas três armas de fogo, um computador, um automóvel e dinheiro presumivelmente proveniente da actividade ilícita.

Circuito internacional

De acordo com o inspector Gonçalo Amaral, o laboratório desmantelado em Albufeira era responsável pela transformação final dos comprimidos de ecstasy, fabricados a partir de produtos que entravam em Portugal através de um circuito internacional, cuja ligação a esta rede está agora a ser investigada.

A ‘Operação laboratório’ contou com a colaboração de outros departamentos nacionais da Polícia Judiciária, com vista a apurar a área de actuação da rede, desde o Sul ao Norte do País.

QUATRO MORTES EM PORTUGAL

Quatro mortes verificadas em Portugal, no ano passado, estarão relacionadas com o ecstasy, de acordo com as autópsias respectivas. Os exames legais aos cadáveres indicaram, a par de outros estupefacientes, a presença de MDMA, a substância activa desta droga sintética que desidrata e pode aumentar o ritmo cardíaco, bem como, segundo estudos estrangeiros, causar lesões no sistema nervoso central e no fígado.

DROGA EM NÚMEROS

Subidas em flecha

O ecstasy é, de longe, a droga cujas apreensões mais têm subido. Em 2001 houve 126.436 comprimidos apreendidos, o que representa um aumento de 305%. E este ano a tendência mantém-se: só no primeiro semestre foram encontradas 119.059 unidades, um crescimento de 128% em relação às 52.127 pastilhas de igual período de 2001. A mesma subida percentual fora registada nos primeiros semestres de 2000 (22.907 comprimidos) e 2001.

Avião muito usado

O avião é o meio de transporte mais usado para introduzir o ecstasy em Portugal, pelo menos a julgar pelos dados das apreensões feitas no ano passado. Dos 126.436 comprimidos apanhados, 65% chegaram de avião, enquanto 24% provieram em viatura pesada e 8% foram introduzidos por carro ligeiro.

Lisboa no topo

A maior apreensão de sempre foi agora em Albufeira, mas o normal era Lisboa estar no topo. Em 2001, foram apreendidas 82.440 pastilhas na Capital, metade do total no País. Castelo Branco, Guarda e Bragança não tiveram apreensões.
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