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Correio da Manhã

Portugal
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EDUARDA RODRIGUES: SOU DA PRIMEIRA HORA DO SINDICATO DA PSP

“Sempre funcionei com homens e não me custa trabalhar com eles. Sou uma igual no meio de tantos.”
Eduarda Rodrigues, presidente da ASPP/Porto
17 de Janeiro de 2003 às 01:10
Correio da Manhã – Foi eleita anteontem presidente da direcção distrital do Porto da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPSP). Fale-me do seu percurso profissional.

Eduarda Rodrigues – Depois de ter terminado o curso na Escola de Polícia, em 1990, fui colocada na Divisão de Segurança - 3.ª Esquadra em Lisboa e oito meses depois vim para o Porto. Estive na Esquadra da Foz durante meio ano e fui transferida para Matosinhos em Fevereiro de 1992, onde sou agente principal.

– De quando datam as suas actividades como associativista dos profissionais da PSP, e de sindicalista?

– Quase que ainda não trabalhava na Polícia quando aderi à ASPP… Aderi logo na primeira hora da Associação. Ou melhor, era guarda de segunda classe. O meu primeiro acto foi quando o dirigente nacional Alberto Torres entregou a sua primeira nota de culpa, por causa do processo disciplinar que lhe tinha sido movido.

– O que pensou então?

– Achei péssimo aquilo de um agente ser punido só porque exercia um direito que a lei nos confere a todos.

– Mas que fez concretamente?

– Fui com ele e com outros colegas entregar a nota de culpa ao Comando Metropolitano do Porto. Pertenci desde sempre à ASPP, depois entrei como delegada sindical, à data tratava-se de uma associação, porque só depois é que a associação profissional se transformou no Sindicato. Só com a lei sindical 14/2002 passou a sindicato.

– A sua eleição agora deve-se a quê? Ao seu activismo?

– A eleição deve-se ao trabalho feito pela anterior equipa, da qual eu era vice-presidente. Achei que devia encabeçar a lista e partir para a luta.

– Era lista única. O que é que isso significa, ou seja, porque não houve outras?

– Foi o resultado, por um lado, do trabalho estar a ser bem desenvolvido e ser reconhecido, por outro a estrutura anterior acompanhou-me. Aliás, se reparar na lista dos eleitos para os diversos cargos, há outra mulher. Também uma Eduarda. Deve ser do nome…

– E como se vê como mulher em funções dirigentes, entre tantos homens?

– Eu sempre funcionei com homens e não me custa trabalhar com eles. Sou uma igual no meio de tantos. Tive sempre uma boa relação em equipa. Sou mais um, apesar de dirigente de topo.

– O seu mandato terá prioridades.

– Há prioridades nacionais e distritais. A nível distrital foi importante escolher uma boa equipa. Quero que colectivamente nos empenhemos com o conjunto das coisas e das situações.

– Mas em concreto.

– Falando a nível distrital, desde já a mobilização para a manifestação em Lisboa em 12 de Fevereiro sobre promoções, aposentações e o pagamento de gratificados. Depois há um conjunto de problemas e aspectos que entregámos em Janeiro ao senhor Comandante do Comando Metropolitano do Porto e que têm a ver com a formação contínua dos agentes, investimento em material informático em rede, porque vem aí o Euro’2004, e a informação é importantíssima.

PERFIL

A agente Eduarda Rodrigues, anteontem eleita para presidir à direcção distrital do Porto da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia é agente principal na esquadra de Matosinhos desde Fevereiro de 1992.Terminada a Escola de Polícia em 1990, prestou serviço em Lisboa na Direcção de Segurança - 3.ª Esquadra durante oito meses, sendo no fim desse ano transferida para o Porto, para a 15.ª Esquadra na Foz. Conciliar a vida profissional, familiar e sindical é a sua preocupação maior.
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