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Correio da Manhã

Portugal
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“Ela sabia que estava morto”

Luís Neves tinha o destino traçado desde Novembro de 2009. Executado pela própria noiva e um amigo desta, o empresário foi sufocado com um pano com éter colocado na boca e no nariz, em Abril do ano passado, e abatido com um tiro na cabeça.
9 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Paulo Silva e Sónia Viegas à entrada do Tribunal de Setúbal
Paulo Silva e Sónia Viegas à entrada do Tribunal de Setúbal FOTO: Vasco Neves

Depois foi atirado para uma ribanceira na serra da Arrábida. O corpo viria a ser encontrado pela Polícia Judiciária na bagageira do carro, enrolado num cobertor. Sónia Viegas e o cúmplice, Paulo Silva, começaram ontem a ser julgados no tribunal de Setúbal.

"Não sabia que o Luís vivia com uma pessoa. Ele estava comigo várias vezes e não havia motivos para desconfiar. Só me apercebi disso quando, no dia do desaparecimento, fui contactada pela Sónia", relatou ontem a namorada, Joana Raposo perante o colectivo de juízes. Mal Sónia descobriu a traição de Luís, pediu a ajuda ao amigo Paulo para matar o futuro marido e entregou-lhe 200 euros para comprar uma pistola, que veio a adquirir numa feira em Vale de Milhaços, no Seixal.

"A Sónia mentiu desde o início e cometeu um grave erro. Dois dias depois do desaparecimento do Luís, começou a falar dele no passado. Ela já sabia que ele estava morto", declarou Rui Manuel dos Santos, patrão de Luís e uma das testemunhas do processo. "Depois ainda me disse: O Luís pensava que era mais esperto do que eu e que me enganava. Nessa altura saí de casa e fui à Polícia Judiciária", acrescentou. O pai da vítima, Francisco Neves, confirmou. "Ela já me tinha dito: Ele não é para mim nem para as outras", disse.

Segundo a acusação do Ministério Público, Luís ainda lutou pela vida ao ser sufocado por Paulo. Sónia estava já com a pistola apontada à cabeça, pronta a matar, mas a arma não disparou, por ter a patilha de segurança accionada. Acabou por ser Paulo a dar o tiro fatal. O casal levou o corpo no Mazda da vítima, que atiraram para uma ribanceira.

TESTARAM ARMA E ESTUDARAM LOCAIS ERMOS

Um mês antes de Luís ser morto com um tiro na cabeça, Sónia e Paulo foram juntos à serra da Arrábida para testar a pistola e procurar o melhor local para esconder o cadáver. "Os dois arguidos dirigiram--se à serra da Arrábida para testarem a pistola, efectuando ambos vários tiros e ainda para visitarem vários locais ermos onde pudessem ocultar o corpo de Luís Neves", refere a acusação. Depois disso, até ao dia do crime, a arma ficou guardada na gaveta de um roupeiro da casa de Sónia e Luís.

CASAL NAMOROU SETE ANOS E IA CASAR EM 2010

Sónia Viegas e Paulo Silva são acusados de homicídio qualificado. Foram os ciúmes doentios de Sónia que fizeram com que a mulher pedisse ajuda a um amigo para matar o companheiro. Sónia e Luís conheceram-se aos 17 anos, mantiveram uma relação de sete anos – até meados de 1998. O namoro acabou e só dez anos depois se voltaram a encontrar. Começaram a viver juntos, mas Luís acabou por ser morto. Vítima deixa órfã uma menina.

SETÚBAL HOMICÍDIO LUÍS NEVES
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