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Correio da Manhã

Portugal
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“Ele é um animal queria matar-me”

"Vivi os piores dias da minha vida. Ele é um animal, queria matar-me. Quando já não aguentava mais, fui à varanda em desespero gritar por socorro", conta ao CM a mulher de 63 anos, residente em Aveiro, que esteve sequestrada na própria casa cerca de oito dias pelo ex-companheiro, de 59 anos.

11 de Junho de 2011 às 00:30
Vítima mostra a faca com que o seu agressor a ameaçou várias vezes de morte
Vítima mostra a faca com que o seu agressor a ameaçou várias vezes de morte FOTO: Ana Mendes

Joana, nome fictício, foi vítima de sequestro e maus tratos. Mantinha desde há um ano uma relação com o homem que acabou por a maltratar e, no início do mês de Maio, quando quis pôr fim ao namoro, começou a viver uma história de terror.

"Há um mês que vivo em pânico. Mandei uma mensagem a um polícia de um telemóvel, a dizer que estava a ser ameaçada de morte, e apenas recebi uma visita, onde ele foi advertido para não o voltar a fazer", conta.

Após a intervenção das autoridades, o cenário piorou. António cortou todas as persianas de casa e passou a acompanhar a vítima para todo o lado.

Há cerca de quinze dias, a mulher conseguiu pedir ajuda a uma amiga, que chamou dois rapazes para o assustar e o porem fora da casa. A PSP foi avisada e acabou por detê-lo. Libertou-o mais tarde devido a um príncipio de enfarte, por não ser possível levá-lo ao juiz nas 48 horas que a lei prevê.

No passado dia 2 de Junho, António, já em liberdade, invadiu a casa da vítima por uma janela e manteve-a sequestrada durante oito dias. Quando a mulher conseguiu gritar por socorro, na varanda, agrediu-a e trancou-a na casa de banho. A PSP, depois de avisada por vizinhos, deteve o suspeito e levou a mulher para o hospital.

FILHOS NUNCA APROVARAM A RELAÇÃO DA MÃE

A mulher, de 63 anos, vítima dos maus tratos, não contou com a aprovação dos quatro filhos na relação que manteve durante um ano com o ex-companheiro, de 59 anos.

"Eu fui para o hospital com vários ferimentos resultantes da violência física que sofria e os meus filhos não se preocuparam comigo. Estão muito magoados por causa da relação de tortura que vivia", afirma.

Visivelmente abalada, a vítima quer recuperar a amizade e confiança dos filhos, agora que se viu livre do homem que a maltratou, ameaçou de morte e a sequestrou oito dias na própria casa.

AVEIRO VIOLÊNCIA AGRESSOR SEQUESTRO
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