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Correio da Manhã

Portugal
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"Ele tentava respirar e não ouvi nem um gemido": Comando garante que colega se matou

Luís Teles morreu com tiro no peito junto ao paiol do quartel da Carregueira.
Sérgio A. Vitorino 6 de Dezembro de 2019 às 01:30
Luís Teles tinha 23 anos
Deisom  Camará está há um ano em prisão preventiva
Militares dos Comandos compareceram ontem no Tribunal de Sintra
Luís Teles tinha 23 anos
Deisom  Camará está há um ano em prisão preventiva
Militares dos Comandos compareceram ontem no Tribunal de Sintra
Luís Teles tinha 23 anos
Deisom  Camará está há um ano em prisão preventiva
Militares dos Comandos compareceram ontem no Tribunal de Sintra
"Estava a trocar mensagens com a minha namorada quando ele [Luís Teles] entrou a lamentar-se. Agarrou a minha arma [G3 distribuída ao sentinela do paiol] e tirou o carregador. Deixou de ser ameaça para mim, porque nem tinha bala na câmara, e não me importei que fosse para a rua. Ouvi manobras de segurança, seria ele a colocar na câmara uma munição que terá trazido com ele, e o tiro. Já o encontrei no chão. Ele tentava respirar e não ouvi nem um gemido", contou Deisom Camará, o comando acusado de assassinar a tiro um colega, em setembro de 2018, no quartel da Carregueira. Perante o relato, o juiz presidente questionou Camará: "Na sua lógica foi suicídio?", ao que o militar respondeu: "Certo".

O soldado de 22 anos começou a ser julgado na presença de colegas dos Comandos e família. Relatou que nada tinha "contra" Luís Teles e que a relação era "apenas profissional", "uma amizade de armas" por terem pertencido seis meses ao mesmo grupo de combate na República Centro-Africana. O próprio Ministério Público não aponta razão para o crime.

Deisom Camará respondeu durante três horas a todas as perguntas sobre a sua relação com Luís Teles, que tinha 23 anos e vivia no quartel por ser originário da Madeira. Diz ter ficado surpreendido por Teles aparecer na casa da guarda ao paiol a desabafar que estava "desanimado" por ter sido retirado da futura missão na RCA e colocado na formação. "Fiquei em choque ao vê-lo caído no chão e liguei ao oficial de dia a pedir ajuda". Depois, falou com o 112 e tentou "socorrer".

PORMENORES
Pólvora
A acusação refere que foi feito o teste e foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos de Camará. Este diz que não fez tiro e que serão "de ter mexido na roupa queimada [pelo disparo]" da vítima.

Peritos
A defesa vai chamar ao julgamento peritos "que ajudarão na descoberta da verdade", disse o advogado Paulo Mendes dos Santos. A pólvora e, se é possível, o suicídio com uma G3 serão focados.

Indemnização
A mãe de Luís Teles está arrolada como testemunha e é assistente no processo. O Estado português é demandando pela família, que pede uma indemnização. O soldado queria ser GNR.
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