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Correio da Manhã

Portugal
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ELEITORES VESTEM PELE DE JUÍZES

Um grupo de seis cidadãos, seleccionado através dos cadernos eleitorais, está a ajudar o Tribunal de Leiria, desde ontem, a julgar 24 pessoas acusadas de tráfico de droga. A presença dos jurados foi solicitada pelo advogado de um dos arguidos, que está a recorrer a este método pela quarta vez.
1 de Junho de 2004 às 00:00
Na primeira sessão do julgamento, uma das principais suspeitas, de 59 anos, admitiu ter colaborado com o marido na venda de droga. “Eu estava numa situação difícil, fui operada à coluna e aceitei colaborar”, afirmou a mulher, adiantando que lucrou entre 100 e 600 euros por mês, com o negócio.
A arguida era responsável pelo contacto com os compradores e foi a única a prestar declarações. Ontem, considerou-se “uma vítima”, por ter sido “ingénua toda a vida”.
De acordo com o Ministério Público, os arguidos, sete dos quais em prisão preventiva, integravam duas alegadas redes de tráfico de droga.
Um dos grupos actuava a partir da zona de Queluz e tinha como núcleo duro uma família (pai, mãe e filho). Estes recebiam centenas de quilos de haxixe provenientes de Espanha, colocando-os no mercado com ganhos próximos dos 175 euros por quilo. A ligação do casal à região de Leira, Marinha Grande e Porto de Mós era feita por um jovem de 26 anos, com residência na Vieira de Leiria e ‘banca de venda’ num apartamento de Leiria.
MULHER DENUNCIA COMPANHEIRO
A investigação policial que levou à detenção dos 24 arguidos, três deles de nacionalidade espanhola, terá sido iniciada após uma denúncia da companheira de um dos alegados cabecilhas. A jovem dirigiu-se ao posto da GNR de Vieira de Leiria, em Março de 2002, e relatou todos os contornos do negócio do namorado, após apresentar uma queixa-crime por agressão.
O casal reatou a relação, pouco tempo depois, e o presumível traficante trocou de residência e números de telemóveis como medida de precaução. As cautelas, porém, não serviram para iludir a Polícia Judiciária, que efectuou dezenas de escutas telefónicas e vigilâncias, até proceder à detenção dos suspeitos, em Setembro de 2002.
Na ocasião, foram apreendidos mais de 200 quilos de haxixe, vários carros topo de gama e mais de 25 mil euros em dinheiro. Três meses depois, duas arguidas tentaram fazer entrar na prisão, para um dos detidos, três bocados de haxixe, dissimulados em pedaços de frango assado.
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