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Correio da Manhã

Portugal
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Empreiteiro acusado de enganar Morgadas

Duas idosas de Fafe acusam um empreiteiro de as ter enganado para se apropriar de um conjunto de terrenos situados no centro da cidade e que estarão avaliados em 2,5 milhões de euros.
15 de Fevereiro de 2007 às 00:00
A 'morgada' Glória  culpa a irmã Miquelina pelo negócio suspeito com o empreiteiro
A 'morgada' Glória culpa a irmã Miquelina pelo negócio suspeito com o empreiteiro FOTO: Sérgio Freitas
Garantem que assinaram uma procuração depois de o empresário lhes ter servido um lanche com pudim, pataniscas e uma caixa de vinho. A escritura foi feita por 325 mil euros, mas dizem que nem esse dinheiro receberam. O caso vai ser julgado em tribunal, que ontem adiou a primeira sessão para eventual acordo entre as partes.
O empreiteiro Armando Freitas recusa a ideia de ter burlado as idosas e alega mesmo que foram elas que o procuraram para o negócio, efectuado há quatro anos, através de um procedimento em que contou sempre com a colaboração de um advogado. Acrescenta que o pagamento foi efectuado em notas, num saco entregue na casa das irmãs. “Diziam que era para entregar a uma instituição social”, justifica-se.
No entanto, as ‘morgadas’ de Fafe – conforme são conhecidas na cidade as irmãs Maria da Glória, de 94 anos, e Maria Miquelina Bastos, de 83 anos – garantem que nunca viram o dinheiro. “Todos hão-de morrer e terão de dar contas a Deus”, avisa Glória, revoltada com a ameaça de prédios encostados à sua habitação. “O empreiteiro já avisou que temos de fechar as portas para o quintal, porque temos outras entradas”, queixa-se Miquelina, a quem a irmã aponta como a responsável pelo mau negócio, porque “bebeu demasiado” e depois “insistiu para assinar um papel em branco”.
A causa das ‘morgadas’ é apoiada pela empregada, Beatriz Nogueira, que recorda como o empreiteiro sempre apaparicou as idosas até conseguir o queria. “Chegou a levar a Miquelina a Fátima, mas, mal assinaram, nunca mais quis saber delas”, acusa a empregada, estranhando que “a escritura tenha sido feita em Guimarães e o registo dos terrenos em Cabeceiras”.
SÓ LHES RESTA A CASA DO PAI
As ‘morgadas’ de Fafe nunca casaram e não têm filhos nem sobrinhos. A irmã mais velha, que casou, também não teve filhos e já morreu. Agora, estão aos cuidados de Beatriz Nogueira, que trabalha há quarenta anos na casa do já falecido Francisco Bastos, o ‘morgado da Granja’, que deixou um vasto património para as filhas. Só lhes resta a casa onde vivem. “A sorte delas é que a casa ainda está em nome do pai”, refere Beatriz, reconhecendo que o vício do álcool da irmã mais nova tem sido fatal. É que já havia sido enganada “por um empresário de Paços de Ferreira, que a embebedava e conseguia dela tudo o que queria. Levou-lhes muitas reformas, uns milhares de contos do banco e o dinheiro da venda de dois apartamentos”. Desta vez “o golpe foi maior”, apesar de a empregada sempre ter alertado as idosas “para a tramóia”, que foi confirmada no dia seguinte após “o empreiteiro entrar em casa, com mulher, filho e advogado, carregando uma caixa de vinho verde branco, pataniscas e pudim”.
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