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Correio da Manhã

Portugal
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EMPRESÁRIO ESPANCADO ATÉ À MORTE EM CASA

Um subempreiteiro da construção civil, de 47 anos, natural da Guiné-Conacri, foi amarrado e espancado até à morte no seu apartamento, onde vivia sozinho, na zona da Bellavista, em Albufeira. O objectivo dos homicidas terá sido roubar os cerca de 35 mil euros que estariam em poder do empresário para pagamento de ordenados.
19 de Dezembro de 2003 às 00:00
O corpo foi encontrado quarta-feira de manhã, mas o assassinato do subempreiteiro, de nome Kourouma, terá ocorrido dias antes. Seco Daramé, um dos trabalhadores ao serviço do empresário, procurou falar com o patrão, através de telemóvel, na segunda e terça-feira, mas “ninguém atendeu”, segundo o próprio referiu ao CM. Uma amiga da vítima também fez várias tentativas nesse sentido, igualmente sem resultado, “o que toda a gente achou muito estranho”.
Na terça-feira, entretanto, o carro do subempreiteiro foi descoberto próximo do terminal de autocarros de Albufeira, sem sinais de vandalismo. Seco Daramé garantiu ao nosso jornal que “o facto foi comunicado às autoridades”.
Perante o arrastar da situação, a GNR decidiu, na manhã de quarta-feira, recorrer aos bombeiros para entrar no apartamento de Kourouma. Como a porta estava fechada, o acesso fez-se através de uma escada colocada nas traseiras do prédio.
As autoridades encontraram então, no quarto, o homem desaparecido, já sem vida. A vítima estava de braços e pernas amarrados e ostentava sinais claros de agressão, havendo sangue no chão. Ao que tudo indica, terá sido espancada até à morte.
Apesar da violência usada pelos criminosos, vizinhos da vítima referiram ao CM que não ouviram “nada de estranho”. Estes moradores referiram ainda que não tinham grande ligação com o guineense.
O subempreiteiro mudara-se há cerca de três meses para o apartamento onde foi morto, que fica situado próximo do Estádio Municipal, na zona de expansão de Albufeira.
"BOA PESSOA E BOM PATRÃO"
O subempreiteiro assassinado na cidade de Albufeira tinha ao seu serviço cerca de seis dezenas de trabalhadores (todos oriundos de países africanos e do Leste da Europa), sendo considerado “uma boa pessoa e um bom patrão”.
O empresário terá levantado, na passada segunda-feira, 35 mil euros para pagamento de ordenados e subsídio de Natal. “Ele levava o dinheiro para casa e dividia-o por envelopes, que depois entregava aos trabalhadores”, referiu-nos Seco Daramé, que estava ao serviço do empresário há vários anos. Aparentemente, os assassinos também estariam ao corrente desse hábito, pelo que decidiram atacá-lo na sua própria casa. Por outro lado, o local onde o automóvel da vítima foi encontrado na terça-feira (junto ao terminal de autocarros) poderá indiciar que os homicidas terão apanhado transporte para fora da cidade.
Entretanto, os trabalhadores ficaram sem ordenado e “em situação económica muito complicada”. Elementos da Polícia Judiciária de Faro deslocaram-se ao local do crime, desenvolvendo agora investigações tendentes ao esclarecimento deste homicídio e captura dos seus autores.
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