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Correio da Manhã

Portugal
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“Encontrar os corpos é hipótese remota”

Cinco dias depois de o barco ‘Super Águia 2’ ter naufragado ao largo do Furadouro, em Ovar, as famílias dos quatro desaparecidos – António Carrancho, de 51 anos; Pedro Neves, de 50; Arlindo Monteiro, de 50 anos, e o filho deste, Luís Neves, de 21 anos – estão desesperadas com o facto de os corpos ainda não terem sido encontrados. Colocada de lado a hipótese de ser resgatado mais algum sobrevivente, os familiares dizem que só querem dar um funeral digno às vítimas.
24 de Junho de 2010 às 00:30
O comandante Coelho Gil
O comandante Coelho Gil FOTO: direitos reservados

'Passados todos estes dias já nos convencemos de que eles estão mortos. Agora as famílias querem é encontrar os corpos para que pelo menos eles tenham um funeral digno', explicou ao CM Alcides Rodrigues, um dos melhores amigos de António Carrancho, dono do barco.

A probabilidade de encontrar os corpos é no entanto muito remota. Ao CM, o Comandante da Capitania do Porto de Aveiro, Coelho Gil, confessou que existem fortes possibilidades de os cadáveres nunca mais aparecerem. 'A nossa esperança é de que os corpos fiquem presos nas redes de pesca. Não nos podemos esquecer de que o naufrágio foi em alto-mar, a várias milhas da costa, e que isso dificulta bastante o trabalho de resgate dos cadáveres', disse o comandante local da Marinha.

Após mais um dia de buscas, ontem a Marinha confirmou que o barco avistado terça-feira no fundo do mar pertencia a António Carrancho. 'A embarcação que encontrámos foi a que naufragou. Através de filmagens vamos tentar perceber se há danos visíveis no barco, até para compreender o que esteve na origem desta tragédia', disse ao CM Coelho Gil.

PORMENORES

BARCO NO MAR

Apesar de ter encontrado o barco, a Capitania não o vai retirar do fundo do mar. Tal operação terá de ser realizada pela família de António.

CAMISOLA DO BENFICA

Poucos dias antes de morrer, António Carrancho comprou uma camisola do Benfica para a neta, que nasceu no dia da tragédia.

PSICÓLOGOS

As famílias das quatro vítimas que continuam desaparecidas recebem apoio psicológico.

SOBREVIVENTE CONTINUA SOB OBSERVAÇÃO

Paulo Teixeira, o único sobrevivente da tragédia, continua em observações no Hospital de Aveiro. O homem de 37 anos está a recuperar lentamente de um problema nos pulmões que surgiu anteontem.

'Ele está a recuperar muito lentamente, mas não sabemos quando vai ter alta. Os médicos também ainda não sabem se ele vai ficar com alguma mazela física', explicou ao CM Dina Soares, mulher do sobrevivente. Psicologicamente, Paulo Teixeira encontra-se ainda muito abalado por ter presenciado a morte do amigo Arlindo e do filho deste, Luís André, aos 21 anos. 'Ele nunca vai esquecer o que viu', disse a mulher.

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