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Correio da Manhã

Portugal
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ENFERMACÊUTICOS

O Sindicato dos Enfermeiros (SE) acusa o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto de obrigar os enfermeiros a preparar os citostáticos, produtos perigosos que são usados no tratamento de doentes com cancro.
10 de Novembro de 2004 às 00:00
Se a situação não se alterar dentro de uma semana, estes profissionais de saúde admitem formas de luta que passam por uma paralisação. O hospital diz que é uma situação transitória até à contratação de técnicos de diagnóstico de farmácia.
Em carta aberta ao conselho de administração do IPO do Porto, o sindicato apela a uma solução urgente que altere aquilo a que designa por “aberrante” e “inqualificável”.
“Os enfermeiros são obrigados a preparar os citostáticos, medicamentos de quimioterapia que são produtos radioactivos e muito perigosos. Só os técnicos de farmácia têm competência para preparar as dosagens certas para dar aos doentes”, declara ao CM o presidente do SE, Correia de Azevedo.
Uma situação caricata é relatada pelo sindicalista que descreve a forma como esta situação se passa. “Os enfermeiros estão dentro de uma câmara fechada (de fluxo laminar) e recebem do farmacêutico as indicações para fazer as dosagens através de um papel que passa pela frincha da porta. Por que não é ele que faz a manipulação dos medicamentos?”, questiona.
Questiona ainda a razão deste hospital SA não contratar técnicos qualificados para a preparação e manuseamento dos medicamentos “uma vez que tem liberdade para fazer essa contratação e o hospital de dia já foi inaugurado há dois meses”.
LEGISLAÇÃO DEFINE COMPETÊNCIAS
Maria do Céu Vasconcelos, directora-enfermeira e membro do conselho de administração do IPO, afirma ao CM que “os enfermeiros têm conhecimentos técnicos de base que lhes permitem fazer a preparação dos medicamentos” Estão a fazer esta função por falta de recursos”. Vai mais longe: “Os enfermeiros sempre fizeram a preparação dos medicamentos e dos citostáticos seguindo a prescrição do médico”. Sublinha a “necessidade da preparação centralizada destes medicamentos” na farmácia. Para isso, diz, o “IPO do Porto deu um salto qualitativo, único no País, na renovação do ar na câmara de fluxo laminar, no meio ambiente e na protecção do operador, enfermeiro ou técnico de diagnóstico de farmácia”. Maria do Céu Vasconcelos salienta que estão num processo transitório, até à contratação de técnicos de diagnóstico de farmácia, o que ocorrerá até 30 de Novembro. Em 2000 foi publicada legislação que atribui a competência da preparação dos medicamentos a técnicos de diagnóstico de farmácia.
NOTAS
RECURSOS
O IPO do Porto debate-se com falta de profissionais estando a contratar quatro técnicos de diagnóstico de farmácia (dois até 30 de Novembro) e quatro farmacêuticos.
PERIGOSOS
Os citostáticos são produtos tóxicos que são prescritos a doentes com cancro. A prescrição tem de ser seguida com rigor. Estes produtos são cancerígenos para quem os manuseia.
HOSPITAL DIA
O IPO do Porto inaugurou há dois meses o hospital de dia, onde actualmente estão destacados os enfermeiros com os quais está instalada a polémica das competências.
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