O não cumprimento do regulamento e a má prática do exercício das funções são algumas das razões que constam no relatório de dez páginas da Ordem dos Enfermeiros (OE) que concluiu pela suspensão das duas enfemeiras que estiveram envolvidas no caso do jovem que morreu, por asfixia, no Hospital Egas Moniz, Lisboa, há um ano.
A enfermeira Madalena S. está proibida de exercer durante um ano e a profissional espanhola, Mercedes R., responsável pelo doente, teve suspensão por dois anos. Ambas podem recorrer da decisão.
Margarida Vieira, presidente do Conselho Jurisdicional da OE, explica ao CM que "a Ordem cumpriu o papel de avaliar a prática das enfermeiras e concluiu que não temos provas que estas profissionais pudessem ter evitado o desenvolvimento das complicações pós-operatórias e a morte do jovem".
Contudo, acrescenta, "as enfermeiras deveriam ter averiguado a causa da ansiedade manifestada pelo doente, porque compete à enfermeira avaliar essa causa, e não o fizeram, confiaram na informação que tinham que o doente era ansioso, o que revela um procedimento incorrecto".
PRESCRIÇÃO TELEFÓNICA
Margarida Vieira refere que as enfermeiras estabeleceram contacto telefónico com o médico cirurgião e a médica anestesista, que, por telefone, prescreveu um medicamento, que lhe foi administrado, o que também "não é boa prática" profissional.
A sanção de suspensão entra hoje em vigor, ou seja, a partir de hoje estão proibidas de exercer a profissão em território nacional, desconhecendo aquela responsável se as visadas vão ou não interpor recurso da decisão da OE. Se o fizerem, a determinação da Ordem fica suspensa. A pena de suspensão pode chegar aos 5 anos e a expulsão da Ordem é a sanção mais grave que pode ser aplicada a um profissional.
O Sindicato dos Enfermeiros considera que a "pena é devida, mas não deve servir de bode espiatório nem de cortina de fumo para ocultar responsabilidades do médico, pois qualquer analista sabe que o doente faleceu após a intervenção cirúrgica, obviamente mal feita". A IGS ilibou os médicos por falta de provas.
Madalena S. exerceu a profissão durante 25 anos no Hospital Egas Moniz. Em Março foi-lhe comunicada a decisão da Inspecção-Geral da Saúde (IGS) da sua aposentação compulsiva, no seguimento das averiguações. De então para cá esteve a trabalhar em regime de avença no Hospital-Prisional S. João de Deus, em Caxias.
A enfermeira Mercedes R., espanhola, trabalhou no hospital durante um ano a termo certo. Por sua iniciativa cessou funções no início de 2003, antes do final do contrato. A administração Hospitalar tinha tomado a decisão de não o renovar. O CM tentou contactar as enfermeiras suspensas, mas não foi possível. Carlos Mascarenhas, 30 anos, foi operado a um quisto no pescoço. Morreu três horas mais tarde por asfixia devido a um edema da glote, após escrever pedidos de socorro - como "falta ar" - no canto de uma folha do CM.
"QUANDO APLICA A EXPULSÃO?"
"Se a Ordem dos Enfermeiros aplica uma sanção de um e dois anos de suspensão num caso de morte, como foi o que aconteceu com o meu irmão, então, pergunto, em que situações a Ordem determina a pena máxima, a da expulsão?", questiona ao CM Carla Mascarenhas, irmã do jovem falecido. Inconformada com esta decisão da OE, da qual vai interpor recurso, se necessário em instâncias internacionais, Carla Mascarenhas considera que "esta decisão é uma tentativa de lançar poeira para os olhos dos outros". "São umas férias que dão à enfermeira", que não pode exercer na privada. "Para que a justiça seja feita devia ser dada uma pena exemplar, a expulsão da Ordem e a retirada da carteira profissional, de modo a não voltar a exercer a profissão." Aguarda decisão do Ministério Público.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.