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Correio da Manhã

Portugal

“Enfiaram-me um saco para asfixiar”

De repente senti um empurrão nas costas que me deitou ao chão. Depois torturaram-me durante mais de uma hora – em que me deram vários socos, pontapés e ainda tentaram asfixiar-me com um saco de plástico enfiado na cabeça." Sequestrada à entrada de casa, em Benfica, Lisboa, a jovem professora de 27 anos descreve ao CM momentos de horror que viveu na madrugada de ontem às mãos do casal de assaltantes que a espancou.
17 de Fevereiro de 2009 às 00:30
Devido à violência das agressões, ‘Ana’ teve de ser transportada ao Hospital de Santa Maria, onde recebeu tratamento
Devido à violência das agressões, ‘Ana’ teve de ser transportada ao Hospital de Santa Maria, onde recebeu tratamento FOTO: Vítor Mota

Pouco passava da meia-noite quando ‘Ana’ (nome fictício), professora de Português e de Inglês em Lisboa, chegou a sua casa no Bairro das Pedralvas, em Benfica, e deparou-se com um Volkswagen parado à frente do seu prédio. Abriu a porta do edifício e, apesar de se ter apercebido de que uma mulher acabara de entrar atrás dela, nunca imaginou os momentos de pânico que se seguiriam no seu apartamento.

Os agressores, uma mulher e um homem, arrastaram a vítima até à sua casa – onde depois lhe ataram as mãos, pisaram-lhe a cara com os pés e ainda tentaram asfixiá--la com um saco de plástico. Tudo para roubarem um telemóvel, um computador e 60 euros do cartão da vítima que levantaram numa caixa multibanco. Depois disso puseram-se em fuga.

Para trás ficou ‘Ana’, deitada no chão, cheia de dores e completamente sozinha. "Estive uma hora a tentar soltar-me, mas não consegui. Ainda tirei o cinto que me puseram na boca, mas os olhos e as mãos permaneceram tapados", recorda a vítima. Foi socorrida pela PSP, que chegou entretanto, sendo de seguida encaminhada ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Na sequência do ataque armado a sua casa, a professora está agora a ser acompanhada por uma psicóloga. No entanto, a jovem está convicta de que não foi escolhida ao acaso. "Tenho quase a certeza de que estavam ali à minha espera. Não conheço a mulher que me atacou. E quanto ao homem, apesar de não lhe ter visto a cara creio ser um velho conhecido que entrou depois no mundo da droga", afirma a vítima, que está a fazer de tudo para identificar a dupla à polícia.

DEU CABEÇADAS NO CHÃO PARA SER SOCORRIDA

Ontem ao final da manhã, ‘Ana’ ainda não estava refeita do susto que vivera na noite anterior. "Nunca tinha sido assaltada e ser desta forma é assustador", desabafa ao CM. A vítima não consegue esquecer-se da violência do ataque de que foi alvo. "Mesmo depois de eles [os dois assaltantes] irem embora a aflição não parou", continua. Ao ver-se atada e sem forças para se levantar, ‘Ana’ começou a dar cabeçadas no chão na esperança de que os vizinhos se apercebessem do seu sofrimento. Sempre que ouvia algum barulho vindo das outras casas aumentava a violência das batidas. Esteve perto de uma hora naquela agonia até ser, finalmente, socorrida. Foi encaminhada ao Hospital de Santa Maria e apresenta, em todo o corpo, vários hematomas, resultantes dos socos e pontapés.

PAIS TEMEM PELA SEGURANÇA DA ÚNICA FILHA

Josué Oliveira, pai de ‘Ana’, confessou ao CM estar verdadeiramente assustado com os momentos de horror vividos pela sua filha única. "Ninguém imagina o que é um pai ser acordado de madrugada e saber que a filha foi sequestrada e maltratada na própria casa. Nunca vivi assim uma aflição", conta. No entanto, ‘Ana’ já decidiu que durante pelo menos esta semana vai ficar alojada em casa de familiares e amigos. "Depois desta semana logo se vê, mas o mais certo é mudar de casa", diz ‘Ana’, que pensa regressar às aulas o mais rápido possível. "Tenho de esquecer isto e seguir com a minha vida", acrescenta.

APONTAMENTOS

LADRÕES ESFOMEADOS

Os dois assaltantes, antes de abandonarem a casa, esvaziaram o frigorífico da vítima.

PEDIRAM OURO

‘Ana’ acrescenta que, para além do computador, do telemóvel e do dinheiro, ainda lhe perguntaram onde guardava o ouro.

CASA REMEXIDA

"Tiraram-me todas ascoisas do lugar. Nada escapou" conta ao CM a jovem, que ainda levou com alguns objectos na cabeça. "Quando eles queriam eram bastante violentos."

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