Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

ENTRAM SEIS MIL ILEGAIS POR MÊS EM PORTUGAL

As autoridades policiais portuguesas calculam que estejam a entrar no nosso país uma média de seis mil emigrantes ilegais por mês.
14 de Novembro de 2003 às 00:00
O número de ilegais em Portugal deve rondar neste momento os cem mil
O número de ilegais em Portugal deve rondar neste momento os cem mil FOTO: Jose Barradas
Fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) disse ao Correio da Manhã que o número de ilegais em Portugal deve rondar nesta altura os 100 mil, para além dos 35 mil brasileiros que fizeram o pré-registo após a visita do Presidente Lula da Silva.
Investigadores conhecedores do "ramo", garantiram ao CM que, desde a última legalização, que foi em 2001, têm entrado diariamente em camionetas, aproveitando-se da permissividade das nossas fronteiras.
"São 100 mil ilegais do Leste, e há os que chegam do Paquistão, do Egipto, do Bangladesh e de outras zonas remotas", disse-nos fonte do SEF, sublinhando que as polícias já há anos que não se debruçam sobre a comunidade chinesa, cujos ilegais também crescem a olhos vistos.
A mesma fonte assegurou que Portugal é visto pelas mafias do Leste como um país onde é fácil legalizar imigrantes, referindo que os mafiosos recrutam-nos em agências de viagens da Ucrânia ou da Rússia, prometem-lhes casa e contrato de trabalho e arranjam-lhes um visto de oito dias.
35 MIL DO BRASIL
Mas se do Leste chegam aos milhares por via terrestre, também do Brasil continuam a entrar cidadãos em Portugal com o objectivo de cá permanecerem ou de, pelo menos, conseguirem um passaporte que lhes abra as portas da Europa.
Diz o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que basta olhar para os 35 mil brasileiros ilegais que entraram depois da "legalização extraordinária" que acabou em Novembro de 2001, para concluir que chegaram dessa proveniência cerca de 20 mil pessoas por ano, com tendência para continuar.
No SEF, e apesar da nomeação de um novo Director que quer "apostar na investigação", o clima é de desânimo: "somos poucos, não temos meios e, para além disso, não aparece ninguém com vontade política para tentar controlar a invasão de clandestinos", observam.
"Não é estranho que passem pela Alemanha, França e Espanha, países onde se ganha muito mais, e queiram vir para cá?", questionam.
MUITAS PROSTITUTAS
As autoridades dizem que só há uma forma de travar o fenómeno da emigração ilegal: realizar o próximo processo de legalização apenas em 2006 e, em simultâneo, fazer uma campanha de informação nos países de origem, de modo a que os candidatos saibam que não conseguem legalizar-se.
De resto, asseguram que, mais de metade dos processos de legalização em curso são de prostitutas de apartamentos e bares de alterne.
"Temos dezenas de processos de expulsão de prostitutas que agora aparecem com contratos de trabalho como empregadas domésticas ou a trabalhar em lojas e pequenas empresas", afirmam, vincando que o SEF vai investigar a emissão de contratos de trabalho falsos, algumas vezes mediante o pagamento de 2500 euros.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)